Subida de temperatura dos oceanos contribui para degradação de recursos

19 out, 2013

O horizonte é o ano de 2100. Por essa altura, a temperatura dos oceanos terá subido entre 1,2 e 2,6 graus celsius e o oxigénio em meio marinho terá tido uma redução entre os 2 e os 4%.

É mais um alerta para as consequências das alterações climáticas, desta vez nos ecossistemas marinhos. Um grupo de 28 cientistas de todo o mundo realizou um estudo que conclui que a subida de temperatura dos oceanos e a diminuição da concentração de oxigénio vai contribuir para a degradação dos recursos marinhos com consequências igualmente para os seres humanos.

Segundo as previsões avançadas pelos especialistas, no final do século até 870 milhões de pessoas em todo o mundo sofrerão as consequências das mudanças climáticas ao nível dos oceanos.

O horizonte é o ano de 2100. Por essa altura, a temperatura dos oceanos terá subido entre 1,2 e 2,6 graus celsius e o oxigénio em meio marinho terá tido uma redução entre os 2 e os 4%. São previsões de uma mudança que vai atingir de forma transversal os habitats marinhos à escala global. Os especialistas usaram quadrículas de 100 por 100 quilómetros para identificar no mapa zonas que pudessem eventualmente escapar a estas alterações.

Mas não há um único reduto que esteja a salvo, alerta Camilo Mora, coordenador do estudo. “Não encontrámos nenhuma célula de 100 por 100 quilómetros que não esteja afectada pelas alterações climáticas. Logo não há nenhuma zona do oceano que não vá ser afectada por este problema”, disse.

Este especialista em biodiversidade marinha da Universidade do Havai diz mesmo que há latitudes onde o fenómeno terá um alcance devastador… a extinção de várias espécies é praticamente inevitável.

“Sabemos as mudanças que vão ocorrer e as espécies vão responder a isso... muitas vão pura e simplesmente desaparecer. Outras vão adaptar-se às mudanças.  Mas se pensarmos num cenário de extinção maciça de várias espécies de peixes em algumas zonas do globo, dá para imaginar o impacto económico sobre várias populações a nível local”, acrescenta.

Os cientistas fizeram contas e concluíram que em todo o mundo há entre 470 e 870 milhões de pessoas de baixos recursos que dependem do mar, seja para a alimentação ou como fonte de rendimento.

“Até 870 milhões de pessoas no mundo podem perder os seus empregos e a sua fonte de rendimento proveniente das actividades do mar em muitos casos vão enfrentar uma crise alimentar sem precedentes. Não nos esqueçamos que, sobretudo nas ilhas dos trópicos, a maioria dos alimentos vem do mar. Agora imaginemos, são até 870 milhões de pessoas que correm sérios riscos de perder o seu emprego ou a sua fonte de sobrevivência”.

As alterações climáticas dominam a discussão política à escala global há quase duas décadas mas, no campo das decisões, pouco ou nada se fez.

“É um reflexo de que há ainda muito por fazer. Ainda temos muito que trabalhar nesta missão de desenvolver políticas que reduzam as emissões de poluentes. Não podemos deixar de trabalhar para produzir evidência que convença os decisores políticos, porque infelizmente nesta área tem havido muito pouca actividade”, refere Camilo Mora, investigador da Universidade do Havai e coordenador deste estudo sobre o impacto das alterações climáticas nos oceanos.

O essencial desta investigação, que envolveu 28 especialistas de diferentes países, está publicado na revista norte-americana PLOS Biology.