Estreia esta quarta-feira, no Teatro São Luiz, em Lisboa, a peça "A controvérsia de Valladolid". Em palco, os actores Vergílio Castelo e Carlos Paulo protagonizam um debate que aconteceu no século XVI e que opôs dois homens da igreja com visões diferentes sobre os índios e o comércio de escravos.
“São ideias, como podemos constatar rapidamente, que há 500 anos faziam algum sentido e hoje em dia, oficialmente, já não fazem sentido, mas que ainda haverá muita gente a pensar como este homem. Julgo que a intenção do autor é provocar”, afirma à Renascença Vergílio Castelo.
O actor Carlos Paulo é Frei Bartolomeu de Las Casas, um frade dominicano que em 1550 se envolveu numa discussão com o filósofo Juan Ginés de Sepúlveda, que ficou conhecida como "A controvérsia de Valladolid" e contou com a mediação do Papa Paulo III.
O actor Vergílio Castelo representa o lado mais conservador da discussão.
A história foi escrita pelo dramaturgo francês Jean Claude Carrière e sobe hoje ao palco do São Luiz para assinalar os 40 anos do Teatro da Comuna.
“Esta peça estava para ser feita já há bastante tempo, mas não o foi porque o subsídio – que considero esmolas – que temos do Ministério, hoje Secretaria de Estado, da Cultura era impossível fazer na Comuna. É uma peça que pede mais actores, mais cenografia… Guardámos para os 40 anos. Porquê do São Luiz? Porque é o teatro da cidade”, explica João Mota.
"A controvérsia de Valladolid" vai estar em cena até 6 de Maio.