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Inês Pedrosa defende que Agustina Bessa-Luís tem qualidade universal

15 mar, 2012 • Maria João Costa

Festival Literário da Madeira passou a reportagem “O Mundo de Agustina”, da Renascença, sobre a escritora.
Maria Ordoñes é o nome no qual se esconde Agustina Bessa-Luís. A escritora, há muito retirada da cena pública, usou o apelido espanhol de família para assinar “Ídolo de Barro” e “Deuses de Barro”, os seus dois primeiros romances, até hoje inéditos. A Renascença esteve em casa da escritora, no Porto, numa viagem única ao universo de Agustina.

“Agustina Bessa-Luís é uma escritora de qualidade universal que Portugal ainda não soube levar ao mundo”, disse a escritora Inês Pedrosa na abertura do Festival Literário da Madeira.

"Agustina criou um universo só seu e em que cada um de nós está representado. É, sem qualquer favor, uma escritora de qualidade universal. Pena que Portugal não tenha sabido até agora levá-la ao mundo, fazer esforços para que as suas obras tenham internacionalização que merece e que tanto honraria o país. Leiam-na se querem entender a inesgotável riqueza da natureza humana. Leiam-na, hão de rir até às lágrimas e de aprender a rir, mesmo chorando, o que não é coisa pouca", disse.

Inês Pedrosa lamentou que as obras de Agustina estejam hoje fora dos programas escolares. “Sibila”, que chegou a ser de leitura obrigatória dos alunos portugueses, - confessa a escritora - não foi a obra mais fácil que leu. Haveria outras mais convidativas para entrar no universo de Agustina.

"'Fanny Owen', história breve e intensa de amores juvenis deveria ser, na minha opinião, a introdução escolar a Agustina, mas ouvi dizer que agora até a expulsaram da escola. Por ser difícil? Os livros de Agustina exigem muito dos seus leitores, mas não pregaminhos académicos, exigem alma, coisa que hoje se considera ouco económica e inútil para o sucesso".

Na conferência de abertura do Festival Literário da Madeira, Inês Pedrosa recordou o azul da caneta de Agustina, a gargalhada da escritora e falou também da lucidez do seu pensamento. "Desiludir com mérito e todo um programa filosófico revolucionário num país habituado a iludir-se sem brio. Com Agustina aprendemos a ultrapassar os muros da desilusão e ver além deles. Entender os nossos limites sem nos resignarmos a eles. Trata-se de uma pensadora de todas as coisas por pensar". 

Neste primeiro dia de Festival, em que foi também exibido a reportagem da Renascença “O universo de Agustina”, a autora de “A Corte do Norte”, passada na Madeira, esteve no centro das atenções e lembrou que há ainda muitas obras de Agustina por publicar, nomeadamente as suas muitas crónicas.