Há novos sítios arqueológicos descobertos no Vale do Côa

02 dez, 2014 • Olímpia Mairos

Vinte anos após descoberta a arte do Côa, são revelados novos sítios cuja data pode ir até ao Paleolítico Médio.
Há novos sítios arqueológicos descobertos no Vale do Côa
O trabalho de arqueólogos no Vale do Côa levou, ao longo do último ano, à descoberta de novos sítios arqueológicos, cuja data pode ir até ao Paleolítico Médio.

A campanha de sondagem e prospecção revelou achados do “período grafetense”, com cerca de 30 mil anos, e “provavelmente, com níveis de ocupação até anteriores”, avança à Renascença o director do Parque Arqueológico do Côa, Martinho Batista.

O arqueólogo considera “fundamental manter equipas de técnicos em permanência no terreno e no sítio da Cardina”, onde foram feitas duas campanhas de prospecção arqueológica, que revelaram “um fundo de cabana, idêntico aos raríssimos que há na Europa”.

Destes fundos de cabana do Paleolítico, haverá quatro ou cinco exemplares em toda a Europa, explica Martinho Batista, sublinhando que esta descoberta poderá provar que o Vale do Côa já era ocupado antes do período das gravuras rupestres. Os fundos de cabana como os que foram encontrados “podem ir até à época do homem de Neandertal, ou seja, até quase 50 mil anos atrás ou até mais”.

O novo local identificado está numa área de confluência entre os granitos e os xistos na região do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC).

Esta terça-feira, assinalam-se 20 anos sobre as primeiras descobertas da Arte do Côa e 16 anos da sua classificação como Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Quando foi descoberta, em 1994, a “Arte do Côa”, os arqueólogos portugueses asseguraram tratar-se de manifestações do Paleolítico Superior (20 a 25 mil anos atrás) e afirmaram estar-se perante “um dos mais fabulosos achados arqueológicos do mundo”.

Arte que cria desenvolvimento
O presidente do Núcleo Empresarial do Distrito da Guarda (NERGA), Pedro Tavares, considera que a decisão de abandonar a construção da barragem do Côa e preservar as gravuras rupestres foi positiva para a região.

O empresário entende que a “Arte do Côa”, património mundial da Humanidade, é mais importante para a região do que a construção do empreendimento hidroelétrico.

Pedro Tavares considera que “num contexto económico, a construção da barragem teria tido mais resultados para o país. Porém, para a região, para além do valor imaterial, o que está ser feito na promoção da terra tem mais impacto do que a construção da própria barragem”.

O presidente do NERGA evoca os postos de trabalho que foram criados com a criação do Parque Arqueológico do Vale do Côa e do Museu do Côa, e o “fluxo de turistas que chega à região”, e compara esse número com os que ficariam após a construção da barragem.

[O Parque] “empregou três dezenas de pessoas, a que se juntou um número indeterminado de posto de trabalho fomentados pela hotelaria, restauração e outros serviços”, afirma, salientando que “no que respeita à barragem, depois da construção, os postos de trabalho não iriam além da meia dúzia, na produção e na manutenção”.