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José Gil vence Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho

22 jul, 2014

A obra "Cansaço, Tédio, Desassossego" valeu ao filósofo o prémio atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores e pela Câmara de Famalicão.

José Gil vence Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho

A obra "Cansaço, Tédio, Desassossego" valeu ao filósofo José Gil o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, da Associação Portuguesa de Escritores (APE)/Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, foi anunciado esta terça-feira.

Em comunicado, a APE afirma que a escolha do júri, constituído pelo catedrático António Pedro Pita e pelos escritores Helena Vasconcelos e João Barrento, foi "por unanimidade".

José Gil, de 75 anos, tem cerca de 20 obras publicadas e, em 2005, foi considerado, pelo semanário francês "Le Nouvel Observateur", "um dos 25 grandes pensadores do mundo".

Lisboa-Paris-Lisboa
Natural de Moçambique, José Gil iniciou, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, os estudos da licenciatura de Matemática, que prosseguiu em 1958, em Paris, onde mudou o rumo académico para Filosofia.

Em 1968, concluiu a licenciatura em Filosofia na Faculdade de Letras de Paris, na Universidade da Sorbonne. No ano seguinte, fez o mestrado de Filosofia, com uma tese sobre a moral de Kant. Em 1982, concluiu o doutoramento com a tese "Corpo, Espaço e Poder", editada em livro em 1988.

Em meados da década de 1960, passou a coordenar o Departamento de Psicanálise e Filosofia da Universidade de Paris VIII, em 1976 regressou a Portugal para assumir as funções de adjunto do secretário de Estado do Ensino Superior e da Investigação Científica.

Em 1981, instalou-se definitivamente em Portugal, dando aulas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Leccionou, paralelamente, no Colégio Internacional de Filosofia, de Paris, numa escola em Amesterdão e na Universidade São Paulo, no Brasil.

A obra "Cansaço, Tédio, Desassossego" debate a complexidade dos heterónimos de Fernando Pessoa e a obra do poeta d’"A Mensagem", e foi editada no ano passado pela Relógio d’Água, editora para a qual dirige a colecção de Filosofia, desde 1986.

Segundo a editora, nesta obra o autor coloca várias interrogações: "Porque é que Fernando Pessoa faz morrer Caeiro e mais nenhum heterónimo? Ou: como caracterizar o corpo de Caeiro a que o poeta neopagão se refere constantemente? Mas inúmeras outras perguntas pedem resposta: porque é que Álvaro de Campos interfere na relação amorosa de Fernando Pessoa e de Ofélia (quando nenhuma relação desse tipo se vislumbra na obra do engenheiro naval)? Porque é que o patrão Vasques se destaca no deserto da paisagem humana do 'Livro do Desassossego'?".

O prémio, na quinta edição, tem o valor pecuniário de 7.500 euros, e "a data da cerimónia de entrega será oportunamente anunciada", afirma a APE.