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Literatura

"Tell a story" a quem vem de fora

05 ago, 2013 • Joana Costa

"Será que havia negócio aqui?" Há uma carrinha azul que procura a resposta nas ruas da capital.

"Tell a story" a quem vem de fora
"Tell a story" a quem vem de fora
Uma biblioteca itinerante está a circular por Lisboa para revelar a literatura portuguesa aos turistas estrangeiros. "Tell a story" é o nome do conceito, que nasceu depois de uma pergunta.

"Eu tinha muitos amigos estrangeiros e falava sempre com eles sobre literatura - Eça de Queiroz, José Saramago, os mais clássicos. Mas sempre que procurava, não conseguia encontrar edições para lhes dar. Pensei então se seria possível conceber uma livraria. Será que havia negócio aqui?", conta à Renascença Domingues Cruz, um dos três autores do projecto.

A resposta fez-se com uma carrinha azul, que demorou nove meses a transformar-se na "Tell a story". Os leitores não precisam de dicionário, porque há traduções em inglês e francês e em breve em alemão e espanhol. 

"Nós procurámos noutras capitais e noutros países e não encontrávamos nada parecido", diz Domingues Cruz. 

O negócio avançou e as histórias já não se resumem às dos livros. "Um americano andava à procura de 'A morte de Ricardo Reis', comprou o livro e imediatamente sentou-se no jardim do Príncipe Real, debaixo de uma árvore, com um copo de vinho e ficou ali três horas a ler. Depois passou por nós e disse que estava a adorar o livro." 

Quanto aos portugueses, apesar de não serem o público-alvo, também compram em estrangeiro e "sentem orgulho em ver os livros traduzidos noutros idiomas". "Dizem sempre que é uma óptima ideia, que precisamos de mais ideias destas." 

Com pouco mais de um mês no activo, o projecto está a crescer. Esta semana, a "Tell a story" vai começar a receber livros portugueses traduzidos em alemão e em espanhol, até porque os germânicos são dos que compram mais, sendo só superados pelos franceses.