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"Portugueses ricos andam especialmente tolos"

25 mai, 2013 • Maria João Costa

No Festival Literatura em Viagem, em Matosinhos, Francisco José Viegas fez o diagnóstico dos últimos 40 anos e apontou o dedo às elites.

Se alguma coisa falhou não foi o país, foram as elites, afirma o ex-secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas.

O escritor, que falava este sábado no LeV - Festival Literatura em Viagem, em Matosinhos, considera que nos últimos 40 anos tem faltado empenho às elites

“Os ricos portugueses andam especialmente tolos e eles são especialmente responsáveis por esta situação, porque podiam fazer e não fizeram. Se alguma coisa falhou nos últimos 40 anos foram estas elites, não fomos nós todos. Quando nós estamos a deslocar a culpa para nós que votámos ou que governámos, não. Quando me diziam: ‘ agora que já estás fora do poder, eu começava a rir. Poder? Qual poder?”, disse Francisco José Viegas.

"Quarenta anos de insucesso"
Numa conversa subordinada ao tema “Portugal do nosso descontentamento”, o poeta Eduardo Pitta ditou a tónica pessimista.

“Portugal está a andar aceleradamente para trás. Não me admirava que, um dia destes, uma sardinha voltasse a dar para sete pessoas. O estado a que nós chegámos é o resultado de 40 anos de insucesso”, lamentou Eduardo Pitta.

Nascido há menos de 40 anos, o escritor Pedro Vieira fala na actual travessia do nevoeiro vivido em Portugal. O interveniente mais novo da mesa, por usar a escrita como oficio, mostrou-se preocupado com as voltas que o português vai levando.

“O empobrecimento agora chama-se ajustamento, aos trabalhadores agora chama-se colaboradores, o roubo aos depósitos dos cidadãos nos bancos chama-se transformação de créditos credores em acções do próprio banco, despedimento é requalificação. O sequestro da linguagem é uma coisa que me inquieta”, admite Pedro Vieira.