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Tradicionalistas “não puderam recusar proposta de Bento XVI”

Bispos da Sociedade de São Pio X

À medida que aumenta a probabilidade de um acordo entre a Sociedade de São Pio X e o Vaticano, cresce também a oposição de alguns elementos da Igreja.  
07-05-2012 12:22 por Filipe d’Avillez
Os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X (SSPX), que estão em ruptura com a Igreja Católica desde 1988 e que se opõe a algumas reformas do Concílio Vaticano II, não puderam recusar a proposta de reunificação feita pelo Papa Bento XVI, revelou o assistente do superior-geral da sociedade.

O padre Niklaus Pfluger falava numa conferência e elaborou sobre o processo de diálogo entre Roma e os tradicionalistas, que poderá chegar ao seu termo antes do fim de Maio.

Este processo parecia destinado ao fracasso o ano passado, quando o superior-geral bispo Bernard Fellay anunciou que iria enviar para Roma uma resposta negativa a um “preâmbulo doutrinário” que o Vaticano tinha proposto para ser assinado.

Contudo, segundo Pfluger, a situação mudou de figura quando o Papa Bento XVI tornou claro que a reunificação poderia dar-se sem que houvesse acordo em todos os aspectos teológicos sobre os quais há discordância, e que dizem respeito essencialmente à reforma da liturgia e aos documentos sobre liberdade religiosa, ecumenismo e diálogo inter-religioso que saíram do Concílio Vaticano II.

Embora tivesse revelado outra abertura, o Papa tornou claro que caso a SSPX recusasse esta sua proposta poderia haver lugar a novas excomunhões. Os quatro bispos da SSPX, que foram excomungados em 1988 quando o fundador da sociedade, arcebispo Marcel Lefebvre, os consagrou sem autorização de João Paulo II, viram as suas excomunhões levantadas em Janeiro de 2009 como gesto de boa fé por parte de Roma para dar início ao diálogo.

“Nestas circunstâncias Bernard Fellay não considera que seja possível rejeitar a proposta do Papa. Isolar-se da vontade do Papa, desde que não implique aceitar doutrina falsa, seria equivalente a cair em sedevacantismo”, afirmou Pfluger, aludindo à crença que existe entre alguns ultra-tradicionalistas de que os papas eleitos depois do concílio são falsos e que a “cadeira de Pedro” está “vacante”, isto é, vazia.

Esta declaração de Pfluger vem cimentar a ideia de que está tudo apostos para anunciar a reunificação entre os tradicionalistas e Roma, pondo fim ao único caso significativo de separação que resultou do Concílio Vaticano II.

Várias afirmações por parte de superiores da SSPX apontam nesse sentido, parecendo estar a preparar os seus fiéis para essa realidade. A resposta de Fellay estará agora a ser estudada pelos departamentos do Vaticano competetentes para o efeito e será depois apresentada a Bento XVI, que tem acompanhado o caso de perto desde o início. Tudo aponta para que haja uma resposta até ao fim do mês de Maio.

Desconforto com eventual união
Contudo, nem toda a gente parece estar entusiasmada com o eventual regresso dos tradicionalistas, sobretudo se estes não forem obrigados a aceitar todos os documentos do Concílio.

As afirmações mais claras neste sentido vieram do franciscano David Maria Jaeger. Nascido em Israel, numa família judaica, Jaeger defendeu o documento Nostra Aetate, que trata do diálogo inter-religioso e ecuménico.

“Há uma tendência no Catolicismo de olhar com clemência para grupos marginais, mas bem publicitados, que denunciam a doutrina do Concílio, incluindo a declaração Nostra Aetate”, disse Jaeger durante uma conferência organizada pela Universidade de Santa Croce, em Roma.

O Franciscano, que não mencionou directamente o nome da SSPX, expressou a esperança de que essa clemência seja negada àqueles que rejeitam os ensinamentos do Concílio. “Espero que não se contentem em aceitar uma falsa quase-adesão, acompanhada de reservas mentais e verbais evidentes”, afirmou.
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Comentários (2)
  • » ana, lisboa, Lisboa, 07-05-2012 15:03

    Já era altura de se acabar com esta influência nefasta da igreja católica na sociedade. Aliás já não faz qualquer sentido os católicos serem beneficiados em relação aos outros crentes, sejam protestantes, ortodoxos, muçulmanos, etc. Só servem para encher a cabeça das pessoas com crenças, tal como Fátima. Fátima, que para quem está atento voltou á "berra", porque as pessoas estão desesperadas. E de cada vez que as pessoas estão desesperadas lá vem a igreja com os milagres.
  • » João, Coimbra, 07-05-2012 12:59

    A Igreja só tem a ganhar. E, como é sabido, ninguém é obrigado a acatar determinadas "doutrinas" do Concílio Vaticano II, que vão expressamente contra a Doutrina Católica, como a liberdade religiosa e o ecumenismo nos moldes em que este nos é apresentado. Não podemos negar que muitos documentos e "teologias" do Concílio foram aproveitados - mal aproveitados - e mal interpretados e aguardamos que o Santo Padre corrija - como tem vindo a corrigir - muitos erros litúrgicos, teológicos e doutrinais, que desde então se têm espalhado na Igreja e tanto mal tenham feito. O Concílio, como o próprio Papa João XXIII afirmou, não foi dogmático, mas meramente pastoral e qualquer católico é apenas obrigado a aceitar e a professar o que está no Credo e na Doutrina Católica ensinada desde sempre. Claro que esta "união" (de facto, esse grupo tradicionalista está ou esteve separado da Igreja só no papel, porque se manteve fiel, na prática, à Santa Igreja e à sua Doutrina) pode desagradar a muitos, nomeadamente a judeus e seitas protestantes... Mas Jesus Cristo não agradou a todos e veio "para ser sinal de contradição"... Que Nossa Senhora ilumine o Santo Padre e os responsáveis da Fraternidade para que tudo seja para bem da Igreja e glória de Deus.
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