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Egipto

21 cristãos mortos em atentado numa Igreja de Alexandria, Egipto

01 jan, 2011

Testemunhas falam de um banho de sangue: “mais parecia uma cena de Bagdade”.

Uma explosão numa Igreja causou 21 mortos entre a população cristã do Egipto, na noite de ontem.

Os coptas, como são conhecidos os cristãos daquele país, encontravam-se reunidos numa Igreja de Alexandria para assinalar a passagem de ano quando a bomba deflagrou semeando o pânico e deixando um cenário de grande destruição e mortandade.

Para além dos 21 mortos registaram-se pelo menos 43 feridos, incluindo oito muçulmanos. O impacto da explosão foi de tal ordem que danificou uma mesquita situada perto da Igreja.

Uma testemunha, ouvida pela agência Reuters, afirmou que “parece uma cena de Bagdade”.

As primeiras indicações apontavam para um carro bomba, mas o Ministério do Interior já disse que é possível que tenha sido causado por um bombista suicida. O ministério afirma ainda que o atentado terá tido mão de “elementos estrangeiros”.

O atentado faz lembrar um outro no Iraque, há precisamente dois meses que vitimou cerca de meia centena de pessoas. Na altura o ataque foi reivindicado por um grupo ligado à Al-Qaeda, que apontou como motivação o comportamento da Igreja Copta no Egipto. Os islamistas acusam aquela Igreja de manter em cativeiro duas mulheres que se teriam convertido ao Islão.

Confrontos inter-religiosos

O atentado, que decorreu na cidade-berço da Igreja Copta, despoletou conflitos entre cristãos e muçulmanos que saíram às ruas. Houve trocas de pedras e algumas viaturas foram incendiadas.

“Sacrificamos as nossas almas e os nossos corpos pela Cruz”, gritavam os cristãos, perante o olhar de polícias que foram enviados para controlar a situação.

As autoridades egípcias já apelaram à unidade dos egípcios perante esta ameaça terrorista, pedindo em especial aos muçulmanos que se oponham a estes ataques.

Os coptas são a maior comunidade cristã do médio oriente. Descendentes dos habitantes originais do Egipto, são cerca de 10% da população e queixam-se de discriminação frequente.

Há quase um ano, a 6 de Janeiro de 2010, um outro atentado causou a morte de seis coptas que festejavam o Natal, segundo o calendário juliano.