Ainda faz sentido a Igreja ter uma diocese para os militares?

25 abr, 2015 • Ângela Roque

Bispo das Forças Armadas e de Segurança considera que a assistência religiosa aos militares continua a ser indispensável num mundo que precisa de consolidar a paz e a harmonia social. E espera concretizar o sonho de ver alguns seminaristas formados para serem capelães.
O Ordinariato Castrense em Portugal foi criado em Maio de 1966, ainda o país estava envolvido na guerra colonial. Hoje, os militares são chamados, sobretudo, a participar em missões de manutenção de paz. Mas, para o bispo das Forças Armadas e de Segurança, isso não retira importância à diocese. Pelo contrário: “Estou convencido de que para os militares é muito útil e para nós, Igreja, também”.

D. Manuel Linda lembra que “quem presta assistência religiosa aos militares tem de lhes formar a consciência” e que hoje “não se entende o militarismo no sentido de um amor à violência, mas cada vez se exige mais um sentido de defesa e de responsabilidade perante os irmãos que sofrem”.

“Valores como a paz, a tranquilidade e a boa harmonia social, são hoje fundamentais. As estruturas de segurança e as forças armadas o que prevêem é com a sua presença, se possível sem precisarem de actuação, dissuadirem os possíveis malfeitores, para que a tranquilidade e a ordem social sejam preservadas”, afirma.

“Por isso, mais do que nunca hoje é indispensável este serviço”. Para além disso, recorda, “em todos os países membros da NATO onde a percentagem de católicos é razoável existe uma estrutura destas. Até em Inglaterra, onde a maioria é anglicana, há um Ordinariato Castrense, o que prova que esta é uma aposta da Igreja”.

D. Manuel Linda, que como padre chegou a ser assistente religioso no Regimento de Infantaria de Vila Real, diz que a grande dificuldade que tem como bispo é conseguir chegar a todas as unidades, porque a diocese abarca o país todo, ilhas incluídas. Quase todos os dias visita uma unidade e celebra “os sacramentos da iniciação cristã, baptismo e crisma”.

Há menos de um ano e meio em funções, o prelado diz que “não esperava encontrar um ambiente de tanta simpatia e abertura à fé”. A dificuldade é “conseguir alguma coordenação pastoral no todo nacional, e que tenham todos os mesmos critérios de actuação”, até porque os capelães, que são 37, “foram formados em contextos, dioceses ou ordens religiosas diferentes”.

D. Manuel Linda gostava, por isso, de “instituir um seminário. Não é mais uma casa para a formação de padres, mas mediante o contrato com uma diocese haver alguns candidatos ao sacerdócio que sejam formados num dos seminários que já existem, mas que se soubesse ‘estes vão pertencer ao Ordinariato Castrense de Portugal’.

“É o meu sonho, se vou conseguir ou não realizá-lo, só Deus o dirá”, sublinha o bispo das Forças Armadas e da Segurança.

A entrevista a D. Manuel Linda vai ser transmitida no programa “Princípio e Fim” na Renascença, no domingo, às 23h30.