Serviço Jesuíta diz que resposta da UE à crise dos migrantes é insuficiente e tardia

22 abr, 2015 • Ana Lisboa

Organização católica enviou um documento a Pedro Passos Coelho sobre a sua posição relativamente às propostas da Comissão Europeia, relativamente ao caso das mortes de migrantes no Mediterrâneo.
Serviço Jesuíta diz que resposta da UE à crise dos migrantes é insuficiente e tardia

O Serviço Jesuíta aos Refugiados considera que “o plano de 10 pontos da Comissão Europeia está longe de ser uma reacção adequada à crise humanitária no Mediterrâneo”.

O director desta organização católica admite que as propostas apresentadas pecam por ser insuficientes e tardias. E estão “focadas numa lógica de controlo fronteiriço, menosprezando as questões humanitárias”. Por isso, André Costa Jorge considera que “a maioria das acções não resultaria em soluções” face a esta crise que já levou à morte de mais de 900 imigrantes ilegais no Mediterrâneo.

O Serviço Jesuíta aos Refugiados defende a necessidade de um plano concreto que dê prioridade ao salvamento de vidas e ao respeito pela dignidade humana e pela justiça. A “Europa, de uma forma tardia, tem vindo a ter uma política muito tímida e, sobretudo longe, dos valores que defende do ponto de vista da protecção da vida humana”, alerta este responsável.

Entre o pacote de medidas que propõe, destaque para a emissão de vistos humanitários para facilitar o acesso aos processos de asilo e o aumento substancial do uso de quotas de reinstalação para refugiados sem acesso à protecção na região.

Na sua opinião, também é “urgente que seja dada uma resposta rápida, efectiva e concertada por parte dos Estados-membros da União europeia para que estas tragédias não continuem a repetir-se”.

Entre o pacote de medidas que propõem, destaque para a emissão de vistos humanitários para facilitar o acesso aos processos de asilo e o aumento substancial do uso de quotas de reinstalação para refugiados sem acesso à protecção na região.

Estas propostas surgem precisamente na véspera da reunião extraordinária do Conselho Europeu marcada para esta quinta-feira e onde vai estar o primeiro-ministro, Passos Coelho.

No início da semana, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia chegaram a acordo sobre um plano de dez pontos para tentar evitar mais tragédias com migrantes nas águas do Mediterrâneo.

A ONU alertou que o número de migrantes que atravessam o Mediterrâneo pode aumentar este ano para meio milhão se nada for feito contra as pessoas que os traficam. Koji Sekimizu, secretário-geral da Organização Marítima Internacional, pediu um esforço multinacional para garantir a segurança dos migrantes e para identificar aqueles que os traficam para obter lucro apesar do risco.

Mais de 1.750 migrantes morreram no mar Mediterrâneo desde o início de 2015, anunciou a Organização Internacional das Migrações.