Dezenas de muçulmanos detidos por milícias cristãs na República Centro Africana

22 abr, 2015 • Filipe d’Avillez

A denúncia parte da Human Rights Watch, que relata histórias de assassinatos, violações e rapto e pede que as forças internacionais presentes no país para libertarem os detidos.
Dezenas de muçulmanos de etnia Peuhl encontram-se detidos por milícias cristãs na República Centro Africana. Um relatório publicado pela organização Human Rights Watch denuncia a situação e dá exemplos concretos de famílias que passaram vários meses nesta situação.

Há casos de assassinato de crianças, de negligência de recém-nascidos que morreram de subnutrição e de múltiplas violações.  As vítimas são na maioria muçulmanos da etnia Peuhl e estão detidos pelas milícias Anti-Balaka.

A milícia surgiu nos anos 90 mas ganhou protagonismo em 2013 devido ao conflito com as milícias muçulmanas Seleka que tomaram o poder nesse mesmo ano, em Março.

Uma das famílias libertadas, por acção das autoridades locais com o apoio das forças internacionais da ONU, conta que os seus membros foram emboscados no mato quando tentavam fugir para um local seguro. Os milicianos disseram primeiro que os iam proteger, mas rapidamente perceberam que eram reféns. Uma das mulheres do grupo foi tomada como esposa de um combatente, que a violou repetidas vezes e outra foi violada por vários membros, encontrando-se agora grávida.

O grupo era composto apenas por mulheres e dois meninos de oito e seis anos, mas a dada altura os terroristas disseram que não queriam ver homens e, segundo uma das mulheres sobreviventes, levaram os meninos para fora e mataram-nos. Outra menina, recém-nascida, morreu de subnutrição. Agora, segundo a Human Rights Watch, estima-se que ainda haja dezenas de outros membros da etnia Peuhl a viver situações semelhantes nos territórios onde o grupo Anti-Balaka tem mais força.

O conflito entre Anti-Balaka e Seleka lançou o país numa guerra civil e fizeram milhares de mortos, levando a uma intervenção de forças da ONU para tentar assegurar a paz. Politicamente a situação já melhorou, mas algumas das milícias recusaram depor as armas.

Apesar de se considerarem cristãos, os Anti-Balaka foram já condenados por todos os líderes cristãos da República Centro-Africana.