Etiópia confirma que cristãos assassinados eram seus cidadãos

20 abr, 2015 • Filipe d’Avillez

A Etiópia é um dos países cristãos mais antigos do mundo e actualmente um alvo preferido dos fundamentalistas. Jihadistas assassinaram 30 pessoas.
Etiópia confirma que cristãos assassinados eram seus cidadãos
A Etiópia confirma que os 30 cristãos assassinados por militantes do autodenominado Estado Islâmico na Líbia eram seus cidadãos. As mortes foram conhecidas aquando da divulgação de vídeos, no fim-de-semana, divulgado por militantes e simpatizantes do grupo terrorista nas redes sociais. Num dos vídeos vários homens são degolados numa praia, noutro as vítimas são assassinadas a tiro.

O Estado Islâmico reivindicou os assassinatos, tal como já tinha feito em relação ao dos 21 cristãos egípcios, em Fevereiro, dizendo que as vítimas eram “adoradores da cruz pertencentes à Igreja etíope hostil”.

Numa mensagem divulgada esta segunda-feira, e publicada pela agência Reuters, o Governo etíope lamenta profundamente “este acto bárbaro cometido contra cidadãos inocentes.”

As autoridades ainda estão ainda a tentar confirmar a identidade das vítimas.

Refúgio de Maomé
A Etiópia é um dos países cristãos mais antigos do mundo, mas como está cercado em larga medida por países islâmicos, as suas relações com o Islão têm sido conturbadas. No século XVI foi com a ajuda dos portugueses que o país conseguiu manter a sua independência face aos invasores muçulmanos.

Mais recentemente, a Etiópia invadiu a Somália para expulsar os fundamentalistas islâmicos que tinham ocupado grande parte do país. Nessa altura jihadistas de todo mundo apelidaram os etíopes de “cruzados”, fazendo ameaças. É por isso com esse pano de fundo que se dá este massacra na Líbia.

Contudo, o ódio dos fundamentalistas aos cristãos etíopes não deixa também de ser irónico, uma vez que foi o imperador cristão da Etiópia que deu guarida a Maomé quando ele teve de fugir às perseguições a que estava a ser sujeito em Meca.

Em reconhecimento desse facto Maomé terá afirmado que a Abissínia, como era conhecido o país antigamente, “é uma terra de justiça onde ninguém é oprimido”. Este dito, que tem peso de doutrina para os muçulmanos, é frequentemente interpretado como proibindo a declaração de guerra ou agressão à Etiópia.