Igreja apela ao mundo para criar legislação que proteja migrantes

20 abr, 2015

A confirmar-se a morte dos desaparecidos no naufrágio de domingo, desde o início do ano terão morrido em águas do Mediterrâneo cerca de 1.600 pessoas, segundo dados da ONU.
Igreja apela ao mundo para criar legislação que proteja migrantes
O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, D. Jorge Ortiga, apelou à comunidade internacional para criar legislação que proteja todos aqueles que procuram melhores condições de vida arriscando travessias marítimas que terminam em catástrofes.

"Devia haver uma legislação internacional que os protegesse e que permitisse o acesso a outras condições de trabalho e a viver noutros lugares", defendeu em declarações à agência Lusa.

O ex-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa recordou que fenómenos como o naufrágio ocorrido na madrugada de domingo, no mar Mediterrâneo, ocorrem "num tempo em que se fala tanto dos direitos da pessoa humana", mas se verificam, ao mesmo tempo, fenómenos de "verdadeiro tráfego de pessoas à procura de melhores condições de vida", que deixam o seu ambiente familiar.

Uma traineira com cerca de 30 metros de comprimento e mais de 700 imigrantes a bordo naufragou a 60 milhas (96 quilómetros) da costa da Líbia, tendo sido resgatados até ao momento 28. Um sobrevivente garantem que eram 950 as pessoas a bordo.

O mais trágico naufrágio no Mediterrâneo
Perante o elevado número de imigrantes a bordo, que continuam desaparecidos, teme-se que este seja o mais trágico naufrágio no Mediterrâneo, onde nos últimos anos morreram vários milhares de pessoas, oriundas sobretudo do norte de África, na tentativa de chegar à Europa.

Segundo dados da ONU, a confirmar-se a morte dos imigrantes desaparecidos no naufrágio de sábado, desde o início do ano terão morrido em águas do Mediterrâneo cerca de 1.600 pessoas, as quais se somam às mais de 3.500 que perderam a vida em 2014.

O arcebispo de Braga considerou que "evidentemente não é possível, nem será possível acolher todas as pessoas nos mesmos lugares", mas alertou a comunidade internacional para que olhe para estas realidades e encontre uma solução.

"Se a comunidade internacional olhasse para estas realidades, com certeza que encontraria uma solução orientada para proteger, precisamente, a dignidade daquelas pessoas que, com muita probabilidade de não conseguirem o objectivo que pretendem, arriscando a própria vida, se submetem a essa experiencia que tem conduzido a tantas catástrofes que ultimamente temos presenciado", sublinhou.