|

 Casos Ativos

 Suspeitos Atuais

 Recuperados

 Mortes

Boko Haram destrói mais de 40 igrejas no Níger

29 jan, 2015 • Ângela Roque

"Boko Haram quer o massacre total de todos os cristãos do Níger", diz fundação dependente da Santa Sé.

Boko Haram destrói mais de 40 igrejas no Níger

Pelo menos dez pessoas morreram e 45 igrejas foram destruídas e saqueadas nos mais recentes ataques que os radicais islâmicos do Boko Haram lançaram esta semana no Níger.

A denúncia parte de uma irmã no local, cujo nome não é divulgado por razões de segurança, que contactou a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), organização dependente da Santa Sé.

"A irmã enviou um email para a AIS na Alemanha, para o nosso Secretariado Internacional, para dar a conhecer o que a Igreja no Níger está a passar neste momento", explica à Renascença Catarina Martins, da AIS em Portugal.

Por altura do Natal, os radicais já tinham ameaçado queimar todas as igrejas do Níger e atacar os cristãos, mas a violência agravou-se no início desta semana, em resultado de uma série de manifestações contra a publicação de caricaturas de Maomé na comunicação social ocidental.

"A irmã escreve que o Boko Haram quer o massacre total de todos os cristãos do Níger, que não haja sequer um único cristão no Níger", acrescenta Catarina Martins.

"Quem está ligado à Igreja, padres, irmãs, todos tiveram de fugir. Sabemos que estão todos refugiados. Esta irmã contou que nunca mais pode ir à missa. Neste momento, no Níger, os cristãos não podem expressar a sua fé, não podem sequer ir à igreja para rezar para estar. E há uma mensagem dos bispos a pedir que não haja qualquer serviço na igreja para evitar que haja estes ataques", conta.

Uma das igrejas incendiadas foi a de Santa Teresa, que tinha aberto ao culto apenas em Outubro passado e cuja construção contou com o apoio da AIS.

Futuro incerto
A Fundação AIS vai continuar atenta, até porque com a presença no Níger de muitos refugiados de países vizinhos, como do Mali e da Nigéria, a situação humanitária pode agravar-se.

Catarina Martins lembra que a situação sempre foi complicada para os cristãos do Níger, mas os ataques não têm como alvo apenas as igrejas.

"Neste ataque do início da semana também incendiaram bares, restaurantes, postos de gasolina, orfanatos e tentaram incendiar um hospital que está a cargo das irmãs de Madre Teresa", refere.

A Igreja do Níger pede "apenas orações" porque "não sabem muito bem o que vai acontecer" nos próximos tempos. "É preciso ver até que ponto é que se pode ajudar a construir estas igrejas destruídas. A Conferência Episcopal [do Níger] também marcou para ontem, 28 de Janeiro, uma dia de oração pelos irmãos do Níger".