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Taizé passam o ano a rezar num dos países mais ateus da Europa

29 dez, 2014 • Ângela Roque

A capital da República Checa recebe o "encontro de inverno" da comunidade cristã de Taizé. E Taizé muda vidas.
A capital da República Checa recebe o chamado "encontro de Inverno", entre 29 de Dezembro e 2 de Janeiro, onde rezar pela paz é uma prioridade. Um polaco e uma portuguesa contaram no programa "Princípio e Fim" da Renascença como as peregrinações a Taizé mudaram as suas vidas.

Vinte e quatro anos depois, Praga volta a acolher um Encontro Europeu de Jovens animado por Taizé. O primeiro teve lugar pouco depois da queda do muro de Berlim, mas o deste ano não deixa de ser também simbólico, tendo em conta o conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

Para Marcin Zatyka, correspondente da agência de notícias da Polónia em Portugal, o encontro deste ano tem muito significado. "A República Checa é um dos países mais ateus do nosso continente. E não será coincidência os irmãos de Taizé terem optado por Praga, onde há poucas pessoas ligadas à igreja. Os estudos dizem que apenas 3% da população participa nas missas dominicais".

Marcin Zatyka lembra que a República Checa era um país cristão que "tinha uma tradição importante e muitos crentes, mas o comunismo ajudou a desenraizar esta fé cristã". Contudo, acredita que o encontro desta semana "pode chamar atenção para a importância da fé na vida das pessoas", até porque haverá muitas famílias vão acolher os participantes.

São esperados 30 mil jovens de toda a Europa. Lúcia Pedrosa é uma delas. A fisioterapeuta no IPO de Lisboa já foi 13 vezes a Taizé e este será o terceiro encontro europeu em que participa.

Esta jovem organiza sempre as suas férias a pensar "nalguma actividade em termos espirituais ou de formação", pois Taizé permite-lhe "uma troca de experiências e um aprofundamento da amizade e da confiança muito grande. São ambientes muito especiais". Mas também valoriza muito a hospitalidade que se vive nos encontros europeus, onde se é "acolhido por pessoas que não nos conhecem".

Sobre a escolha de Praga, lembra que o encontro é preparado por Taizé, mas acontece a convite dos presidentes da Conferência Episcopal Checa e do Conselho Ecuménico das Igrejas Checas, e que este último escreveu: "Acreditamos que pela vossa presença e orações o coração rejuvenescerá. Esperamos-vos com paciência".

Descobrir a vocação e o amor em Taizé
Taizé marca definitivamente a vida de Marcin Zatyka. Foi ali que, no final dos anos 90, descobriu o caminho profissional. "Era estudante e fui a um 'workshop' de jornalismo na comunidade, e os irmãos incentivaram-me a escrever um artigo sobre essa minha experiência". Foi assim que soube que queria ser jornalista.

Em 2004, o actual correspondente da agência de notícias da Polónia viajou para Lisboa com o objectivo de trabalhar como voluntário no Encontro Europeu de Taizé, que decorreu na capital portuguesa, e aqui conheceu a sua mulher. “Reencontrámo-nos um ano depois no encontro em Milão”, conta. “Ficámos em contacto e participámos depois no encontro intercontinental em Calcutá, na Índia”. Hoje são casados e têm três filhos.

O próximo ano vai ser especial para Taizé: assinalam-se os 75 anos da fundação desta comunidade ecuménica em França, os 100 anos do nascimento do seu fundador e os 10 anos da sua morte. Uma oportunidade de "recordar os inícios da comunidade, quando tinham tantos órfãos da guerra para tratar e tantas dificuldades em arranjar comida", diz Zatyka, lembrando que o irmão Roger, fundador da comunidade, sublinhava sempre que "tudo o que é muito importante e bonito nasce sempre nas situações difíceis".

"Não é privilegiar as dificuldades", acrescenta Lúcia Pedrosa, mas é perceber que podem ser uma "oportunidade de crescimento, de criar alternativas, arregaçar mangas e avançar".

A fisioterapeuta não tem dúvidas de que a espiritualidade que se vive em Taizé ajuda as pessoas a serem melhores "porque se cresce em confiança e abertura ao outro e na nossa relação com Deus".

A experiência ajudou-a a descomplicar a vida: "Taizé é muito organizado e é muito simples, acho que isso passou a fazer parte de mim. Passei a precisar de menos talheres para por na mesa, e não é por acaso que passei a ter sempre chaves da minha casa a mais, para mais alguém ficar quando é preciso". Zatyka acrescenta que quando se volta de Taizé "dá-se mais valor às coisas simples da vida".

A conversa sobre Taizé e o Encontro Europeu de Jovens em Praga foi transmitida no programa “Princípio e Fim” da Renascença, este domingo à noite.