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Diocese do Porto repudia agitação na paróquia de Canelas. Bispo conta a sua versão

14 nov, 2014

Diocese lançou um comunicado e também um memorando.

A diocese do Porto repudia os acontecimentos ocorridos no passado domingo na paróquia de Canelas, quando a recepção ao novo padre ficou marcada por grande agitação junto à Igreja, obrigando a uma intervenção policial, já depois de diversos protestos contra a saída do pároco anterior.

Em comunicado, a diocese fala em acontecimentos "graves" que colocam em causa a vida cristã das pessoas a unidade da Igreja e a paz social. Num texto de cinco pontos, a diocese pede aos cristãos um testemunho de fé em Cristo e a criação de um ambiente para que essa fé possa ser celebrada e que a paz social possa ser reencontrada.

A diocese divulgou, entretanto, um memorando de duas páginas assinado pelo Bispo do Porto onde D. António Francisco dos Santos vem esclarecer o que aconteceu no diálogo entre o Bispo e o padre Roberto Sousa. Aí avulta a denúncia de um alegado caso grave de comportamento de um sacerdote, já com 11 anos, encaminhado pelo Bispo do Porto para as autoridades.

É um processo de avanços e recuos sintetizado num memorando de duas páginas tornado público esta sexta-feira pelo bispo do Porto, naquilo que D. António Francisco dos Santos diz ser o sumário dos principais acontecimentos deste caso.

Em Junho passado, o bispo do Porto sugeriu ao então pároco de Canelas que assumisse funções em Lousada ou em Marco de Canaveses.

Na contraproposta, o padre Roberto manifestou disponibilidade para ser capelão militar ou capelão hospitalar, rejeitando a continuidade no trabalho paroquial, disposição que D. António Francisco dos Santos garante ter sido acolhida.

Passados poucos dias, o padre Roberto Sousa comunicou a sua indisponibilidade para outras missões pastorais, preferindo manter-se apenas como sacerdote em exercício.

Seguiu-se mais um encontro entre ambos, no mês de Julho, até que D. António Francisco recebeu uma carta em que o padre de Canelas anuncia a decisão unilateral de cessar funções naquela paróquia a partir de 8 de Setembro a menos que o bispo do Porto pedisse desculpas aos paroquianos, demitisse o vigário geral e desautorizasse o seu bispo auxiliar.

Numa outra carta, recebida na diocese do Porto em finais de Setembro, o padre Roberto diz-se disponível para continuar em Canelas. E pelo meio ameaça denunciar um alegado caso de comportamento grave praticado por um sacerdote em 2003.
A denúncia, garante o bispo do Porto, foi enviada às autoridades competentes mas o comunicado não esclarece quais nem explicita o teor específico das alegações apresentadas pelo ex-pároco de Canelas.

D. António Francisco dos Santos diz não conhecer o sacerdote em causa, mas garante que não pertence à diocese do Porto.

Em finais de Outubro, novo encontro em que o bispo do Porto manifesta ao padre Roberto a disponibilidade para lhe confiar uma capelania hospitalar, mostrando-se disponível para o nomear a partir de 30 de Outubro.

Certo é que o padre Roberto cessou funções em Canelas a 3 de Novembro e na recepção ao novo pároco, no passado domingo, a comunidade uniu-se numa contestação que, dadas as proporções, obrigou mesmo à intervenção das forças policiais.