Papa rejeita “cristãos de laboratório” que vivam a fé sem a Igreja

25 jun, 2014 • Ecclesia

Francisco apresenta catequese sobre a importância da comunidade para conhecer Jesus Cristo.  
Papa rejeita “cristãos de laboratório” que vivam a fé sem a Igreja
Papa rejeita “cristãos de laboratório” que vivam a fé sem a Igreja
O Papa alertou esta quarta-feira no Vaticano para o que chamou “cristãos de laboratório” e disse que a vivência da fé em Jesus exige uma “pertença” à Igreja. Na segunda catequese semanal do novo ciclo dedicado ao tema, Francisco lembrou que “há quem julgue ter uma relação pessoal, directa, imediata com Jesus Cristo, fora da comunhão e da mediação da Igreja. São tentações perigosas e prejudiciais".
O Papa alertou esta quarta-feira no Vaticano para o que chamou “cristãos de laboratório” e disse que a vivência da fé em Jesus exige uma “pertença” à Igreja.

Na segunda catequese semanal do novo ciclo dedicado ao tema, Francisco falou na “tentação” de prescindir dos outros para se salvar “sozinho”.

“Há quem julgue ter uma relação pessoal, directa, imediata com Jesus Cristo, fora da comunhão e da mediação da Igreja. São tentações perigosas e prejudiciais; são, como dizia o grande Paulo VI, dicotomias absurdas”, declarou, na audiência pública desta quarta-feira, perante dezenas de milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro.

O Papa realçou que na Igreja não existe o “faça você mesmo” ou “freelancers”, citando o seu predecessor, Bento XV, que descreveu a Igreja como “um ‘nós’ eclesial”, e lamentou que alguns digam: “Eu acredito em Deus, acredito em Jesus, mas a Igreja não me interessa”.

Francisco sublinhou que esta Igreja é composta por pessoas “com os seus dons e os seus limites”, mas deixou claro que “ninguém é cristão só por si”.

“Está claro, isto? Ninguém é cristão só por si! Não se fazem cristãos de laboratório”, disse.

O Papa afirmou que “o cristão pertence a um povo que se chama Igreja” e que outros transmitiram a fé que cada um dos seus membros professa hoje.

“Eu lembro-me sempre muito do rosto da irmã que me ensinou o Catecismo”, observou.

A Igreja, prosseguiu, é “uma grande família”, em que ninguém vive “a título individual” ou por “conta própria”.

“A nossa identidade é a pertença, somos cristãos porque pertencemos à Igreja”, precisou.

Segundo o Papa, “não se pode amar sem amar os irmãos” ou estar “em comunhão com Deus sem estar em comunhão com a Igreja”.

“Não podemos ser bons cristãos se não estivermos unidos a todos os que procuram seguir o Senhor Jesus como um único povo”, insistiu.

Francisco deixou a tradicional saudação aos peregrinos de língua portuguesa, em especial aos fiéis do Santuário de Nossa Senhora do Porto.

“Irmãos e amigos, estais em boas mãos, estais nas mãos da Virgem Maria. Ela vos proteja da tentação de prescindir dos outros, de pôr a Igreja de lado, de pensar em salvar-vos sozinhos. Rezai por mim! Que Deus vos abençoe”, referiu.

Antes do encontro, o Papa cumprimentou durante vários minutos um grupo de crianças doentes que acompanhou a audiência através de ecrãs gigantes, na sala Paulo VI.