Dezenas de mortos na República Centro-Africana

24 jun, 2014

Na mesma semana em que a violência entre cristãos e muçulmanos regressa ao país, um bispo católica explica que a sua vida foi salva por um militante islamita em Abril.
A violência entre cristãos e muçulmanos regressou à República Centro-Africana esta semana, tendo feito até esta terça pelo menos 32 mortos, sendo que o número pode ser muito superior.

Segundo testemunhas citadas pela Reuters, o mais recente episódio de violência começou quando os anti-Balaka, o grupo maioritariamente cristão que se formou para combater os Seleka muçulmanos, atacou uma aldeia, massacrando cerca de 22 pessoas, entre as quais mulheres e crianças.

Os muçulmanos da região ripostaram, fazendo pelo menos dez mortos entre os anti-Balaka. Segundo uma testemunha da vila de Bambari, quando os militantes islâmicos regressaram começaram então a atacar cristãos indiscriminadamente. A mesma testemunha diz ter visto cinco corpos, mas terá ouvido falar em pelo menos 100 na morgue local.

Nem o Governo nem os militares franceses que se encontram no país para tentar garantir a paz comentaram os últimos acontecimentos.

A violência regressa ao país na mesma semana em que um bispo católico daquele país visitou o Reino Unido para falar da situação na República Centro-Africana.

Ao jornal “The Catholic Herald”, o bispo Nestor-Désiré Nongo-Aziagbia, de Bossangoa, confessou que em Abril passado foi raptado juntamente com três sacerdotes, por islamitas.

“Disseram que nos iam degolar, porque eu tinha estado a registar as suas atrocidades e a organizar a resistência”, diz o bispo.

Mas um dos líderes do grupo interveio à última da hora para lhes salvar a vida depois de o seu irmão mais velho lhe ter telefonado a dizer que o bispo era uma pessoa de bem.

Durante as piores semanas da violência os terrenos da diocese chegaram a albergar 45 mil pessoas que fugiam. Actualmente restam cerca de duas centenas.

A situação na República Centro-Africana acalmou com a destituição do Governo seleka. À retirada dos islamitas seguiram-se episódios de vingança contra as comunidades muçulmanas. Na altura os líderes cristãos denunciaram o clima de intimidação e afirmaram que não é possível ser-se cristão e pertencer a grupos armados com os anti-Balaka.