Padre Rego celebra 50 anos de sacerdócio e jornalismo

20 jun, 2014 • Ângela Roque

O cónego António Rego nunca sonhou ser jornalista, mas a missão foi-lhe confiada assim que foi ordenado padre. Em entrevista à Renascença diz que o Concílio Vaticano II foi a “fonte inspiradora” para tudo o que fez.  
O sacerdócio e o jornalismo sempre andaram lado a lado na vida do padre Antonio Rego. Natural dos Açores, tem 73 anos de idade e celebra as bodas de ouro sacerdotais este sábado, 21 de Junho.

Em entrevista à Renascença, lembra que a sua missão nos media começou apenas três meses depois de ser ordenado padre. “Não sonhava na vida ter esse trabalho específico na minha pastoral, mas fui enviado e entreguei-me. E dou por mim, sou padre e jornalista. E já lá vão 50 anos. Não contava que passassem tão depressa”.

O padre António Rego diz ainda que sentiu sempre que havia “uma missão única”, e que o jornalista “nunca se envergonhou de ser padre, nem o padre de ser jornalista, conviveram sempre muito bem”.

E como tem sido evangelizar nos media? Tem tido “sobressaltos”, mas também “alegrias e aventura”. O cónego António Rego lembra que aos poucos foi descobrindo que “a comunicação era não apenas um púlpito especial, mas um local específico de anúncio do Evangelho”. Para isso foi fundamental o Concílio Vaticano II: “O Concílio começa quando eu começo a estudar Teologia e portanto, não apenas em mim mas no nosso curso, havia já uma sede de mudança. Era a época de 60 e na Igreja e no mundo nós estávamos desejosos que as coisas mudassem”.

“O Concílio é a grande fonte inspiradora de todo o trabalho que fiz. Havia uma série de estruturas que estavam feitas, e bem feitas para um determinado tempo, mas que já não funcionavam. E é o Concilio que nos dá essas respostas, com o decreto Inter Mirífica, e todo o impulso que deu à evangelização nos media”.

O padre Rego iniciou o trabalho no jornalismo ainda nos Açores, onde foi responsável pelo jornal diocesano e por um programa de rádio. Veio depois para Lisboa, para a Rádio Renascença. Passou, também, pela “RTP”, “RDP”, “Diário de Notícias”, “TVI” e “Agência Ecclesia”, e foi vários anos director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais. É com esta visão abrangente que garante que a Igreja já fez muito caminho nesta área: “Para além da grande instituição que é a Renascença, apareceu uma série de programas na rádio e na televisão, jornais diocesanos, gente que se empenhou nos jornais não católicos, a agência Ecclesia, e toda a movimentação que há à volta dos porta-vozes e dos sites diocesanos. Há um esforço de actualização permanente”.

Um esforço e uma aposta nos novos meios ao dispor: “Não se faz ideia da presença fascinante que a Igreja tem, por exemplo nas plataformas digitais. Qualquer palavra que se procure aparece na Wikipedia”. Uma presença que, sublinha, é preciso “não descuidar”, até porque as últimas mensagens dos Papas para o Dia das Comunicações Sociais têm sublinhado sempre que estes meios “são uma importante área de evangelização”.

Uma vida em Livro
Para assinalar os 50 anos de sacerdócio e jornalismo do padre António Rego foi publicado, pela Paulinas Editora, o livro “A ilha e o Verbo – dos vulcões da Atlântida à galáxia digital”. É um livro-entrevista com prefácio do Patriarca de Lisboa.

D. Manuel Clemente sublinha o seu “jeito de comunicar sempre, usando os meios mais sofisticados do modo mais natural”. E com “harmonia” e “simpatia”, o que mostra que “gosta do que pastoralmente faz”.

António Rego agradece o elogio do Patriarca: “Vivi sempre a minha vida na comunicação e no sacerdócio com uma grande entrega e alegria, porque tinha proximidade”. Uma proximidade que diz ter sentido em todas as reportagens que fez. E todas foram importantes: “Podia falar do tempo que estive a com a tribo indígena Yanomani, ou das visitas a mosteiros contemplativos. Mas, o mais emocionante foi contactar com as pequeninas comunidades de cristãos que estão escondidas, perdidas. Trazê-las para os media, rádio e televisão, no fundo é apregoar um Evangelho que está a ser vivido de forma humilde e discreta, mas que tem um valor extraordinário para a Evangelização de hoje”.

Os 50 anos de sacerdócio do padre Antonio Rego foram já alvo de uma celebração especial no passado dia 15, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, à qual está ligado e onde celebra missa. Uma festa alargada já que também a sua irmã, Alda Rego, freira dominicana, está a celebrar 50 anos de vida consagrada. Ambos serão homenageados no próximo mês nos Açores.