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“A Europa tem de pôr a família em primeiro lugar”

02 mai, 2014 • Filipe d’Avillez

Maria Hildingsson aponta o exemplo das manifestações contra o casamento homossexual em França como prova de que a mentalidade europeia está a mudar.  

“A Europa tem de pôr a família em primeiro lugar”
A Europa tem de legislar a pensar no bem-estar das famílias, cuja desestruturação é o principal desafio que a sociedade europeia tem de enfrentar actualmente.

A opinião é expressa por Maria Hildingsson, secretária-geral da Federação das Associações de Famílias Católicas na Europa, com sede em Bruxelas.

O grupo faz lobbying junto das instituições europeias, procurando evitar e denunciar legislação contra a família. Causas como o aborto, a defesa do casamento entre um homem e uma mulher e a eutanásia estão no centro das preocupações, mas o principal desafio, considera Hildingsson, é a própria desestruturação das famílias.

“É um enorme desafio. A União Europeia não tem competências directas na área das políticas de família, mas tem competências no que diz respeito a políticas laborais, licença de maternidade, por exemplo. O equilíbrio entre a vida familiar e o trabalho é extremamente importante, por exemplo.”

“A actual estratégia da União Europeia quer criar empregos, e claro que isso é muito importante, mas não se dá importância às necessidades das famílias. Nós consideramos que é preciso colocar a família em primeiro lugar, é preciso criar condições para que as famílias possam viver dos seus rendimentos, e viver decentemente. É uma questão de dignidade”, explica.

Mas estas questões práticas não são as únicas contra as quais batalha a organização liderada por esta mulher sueca, convertida ao Catolicismo. Uma das mais complexas é convencer os cidadãos da importância das instituições europeias e, em mês de eleições, da preocupação em eleger deputados que defendam a família: “As famílias e os cidadãos em geral sentem que Bruxelas fica longe, que as decisões não têm impacto nas suas vidas. Mas na verdade, hoje, cerca de 70% das leis nacionais vêm da União Europeia. E desde a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, o Parlamento Europeu tem mais poder do que tinha.”

Contudo, mesmo os relatórios e as decisões não-vinculativas podem ter uma grande influência para as instituições europeias. Um exemplo é o relatório Estrela, proposto pela eurodeputada portuguesa, que defendia o aborto livre e atacava a objecção de consciência dos médicos. “O relatório de Edite Estrela era não-vinculativo, mas não deixava de ser um acto simbólico. Se o texto tivesse sido aprovado, teria transmitido uma posição clara do Parlamento Europeu. Ainda que não seja vinculativo, é muito importante para a batalha das ideias que existe ao nível político.”

Defender o conceito cristão de família, e respectivos valores, nos tempos que correm, pode parecer uma batalha perdida. Mas Maria Hildingsson é optimista e vê sinais de mudança social e aponta o exemplo de França, onde a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo foi contestada com marchas na rua que envolveram milhões de pessoas: “O que aconteceu em França é muito interessante. Vivi 13 anos em França e posso ver que está a operar-se uma mudança na mente das pessoas, isto não teria sido possível há cinco anos.”

“Está a haver uma mudança geral na Europa no que diz respeito a estes assuntos que dizem respeito à dignidade humana, respeito pela vida, respeito pela família. As reacções políticas podem ser fortes, mas os principais agentes não são necessariamente os políticos, são os cidadãos normais nas ruas que começam a perceber que podem fazer a diferença, podem ter impacto”, afirma Maria Hildingsson.

As eleições para o Parlamento Europeu, em Portugal, têm lugar no dia 25 de Maio.