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Kiev recua nas ameaças à Igreja Greco-Católica

17 jan, 2014 • Filipe d’Avillez

Na memória da Igreja Greco-Católica estão os cerca de 50 anos em que teve de operar na clandestinidade, tendo sido declarada extinta pelo regime soviético.  

O Governo da Ucrânia recuou nas ameaças que tinha feito à Igreja Greco-Católica daquele país, garantindo que não pretende exercer qualquer pressão sobre ela.

No início da semana a Igreja, que é a maior de rito oriental em comunhão com Roma, tinha revelado uma carta recebida do Ministério da Cultura a ameaçar tornar ilegais as suas actividades devido à presença de alguns padres na praça onde têm decorrido as manifestações pró-europeias e contra o Governo.

As manifestações começaram há cerca de dois meses quando o Governo anunciou uma reviravolta na política de aproximação à União Europeia, preferindo uma aliança com Moscovo.

A questão não é apenas política, mas revela grandes divisões geográficas e sociais entre a população ucraniana. O sector da população mais favorável à Rússia tende a falar russo e pertencer à Igreja Ortodoxa Russa. Já os fiéis da Igreja Ortodoxa da Ucrânia e os da Igreja Greco-Católica, tendem a falar ucraniano e a ser pró-europeus.

Não é de estranhar, por isso, que muitos padres da Igreja Greco-Católica tenham sido vistos e tenham mesmo liderado orações entre os manifestantes. Também a Universidade Greco-Católica tomou uma posição firme contra o Governo.

Mas as ameaças do Ministério da Cultura foram recebidas com particular preocupação uma vez que está bem fresca na memória da Igreja Greco-Católica os cerca de 50 anos em que teve de operar na clandestinidade, tendo sido declarada extinta pelo regime soviético.

Na reunião que decorreu esta manhã de sexta-feira entre o Ministro da Cultura e o Patriarca Sviatoslav Shevchuk, houve garantias por parte do Governo de que as actividades da Igreja Greco-Católica não seriam impedidas de qualquer maneira e que a liberdade religiosa não seria limitada no país.