ÉVORA

Arquidiocese quer “recolocar” Vila Viçosa na rota dos fiéis

10 jan, 2014 • Rosário Silva

Conciliar turismo e fé é um caminho a redescobrir, numa diocese que pretende mostrar aos fiéis que o Solar da Padroeira de Portugal é um espaço de enriquecimento cultural mas sobretudo espiritual. No horizonte está a concretização, a curto prazo, de uma peregrinação para doentes e idosos.
Arquidiocese quer “recolocar” Vila Viçosa na rota dos fiéis
Pelo Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa, passam anualmente milhares de pessoas. Apenas em turismo ou por devoção, o Solar da Padroeira de Portugal recebe portugueses e estrangeiros, mas não são contabilizados na perspectiva do turismo religioso. Há iniciativas, de âmbito privado, mas o ponto alto é mesmo nos dias 7 e 8 de Dezembro, data que assinala a Solenidade de Nossa Senhora da Conceição e que mobiliza, também, a arquidiocese. 

A nível diocesano não há, por agora, nenhum projecto para promover o santuário. Contudo, o actural reitor, o Padre Francisco Couto gostava de pôr em marcha uma peregrinação para os mais vulneráveis e adianta que se está “a tentar organizar uma peregrinação mais voltada para doentes e idosos, chamar-lhe-ia a peregrinação dos frágeis, que pudesse trazer ao Solar da Padroeira, ao regaço de Nossa Senhora, aqueles que com Ela, são capazes de criar maior intimidade e dela receber maior carinho e conforto”.

No essencial, há um desafio, e passa por “chamar a atenção a nível diocesano, sobretudo, para a existência deste Santuário, que é nacional e o da Padroeira de Portugal e ainda por cima, sendo Nossa Senhora da Conceição, a Padroeira da nossa diocese”.

Em declarações à Renascença, o reitor considera que “seria interessante recolocar na rota dos diocesanos, sobretudo as paróquias e os fiéis, este santuário”.

O sacerdote reconhece que à Igreja, mais virada para as questões da fé, não é fácil concretizar, nalguns casos, a promoção de um turismo religioso, sem existir uma espécie de “aliança” com o Estado defendendo uma “aproximação neste consenso de dotar os edifícios e o seu património de uma mais valia, de uma qualidade diferente que ajude a conservar, mas por outro lado, também embelezar para que o turista possa usufruir daquilo que busca e que procura”.

Na arquidiocese de Évora, o Secretariado Diocesano das Migrações e Turismo não tem uma actividade específica para esta vertente. São sobretudo as paróquias que se organizam e procuram proporcionar momentos de lazer, nomeadamente viagens, sem descurar a componente espiritual quer através da eucaristia, quer com momentos diários de oração e meditação.
O responsável do secretariado reconhece que há um potencial para explorar e vai nesse sentido o trabalho que é proposto às dioceses.

“Há uma preocupação do Secretariado Nacional do Turismo em comprometer as dioceses com os respectivos secretariados, numa pastoral mais organizada e que responda ao fluxo migratório quer interno, quer externo” refere à Renascença o Padre Adriano Chorão Lavajo.

“Ou seja”, prossegue, “pessoas que peregrinam dentro do próprio espaço nacional, com a passagem pelos vários santuários existentes pelas dioceses fora, assim como quem vai para o estrangeiro, também ter atenção a esta oportunidade da Igreja poder evangelizar a partir, das oportunidades que os próprios lugares santificados proporcionam a quem se desloca com o sentido de passeio ou com sentido expresso de peregrinação”.

Evangelizar pode, assim, passar pelos caminhos do turismo. De resto, isso já acontece, até numa perspectiva de negócio.

“As grandes empresas de viagens jogam um bocadinho com a fé dos fiéis para poder oferecer-lhes o que procuram, também espiritualmente, e temos o exemplo da Terra Santa ou de Roma. As pessoas que saem para estas viagens, fazem-no não só para passear, conhecer outras culturas, mas também pela fé e o significado religioso desses lugares” conclui o Padre Francisco Couto, reitor do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa.