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Patriarca apela à assinatura de petição em defesa da vida

04 out, 2013 • Ângela Roque

D. Manuel Clemente diz que é importante que os portugueses também ajudem a travar a febre legislativa.

Patriarca apela à assinatura de petição em defesa da vida
Patriarca apela à assinatura de petição em defesa da vida

O Patriarca de Lisboa apela a todos que assinem a petição "Um de Nós", em defesa da vida, porque esta não é uma questão meramente religiosa ou confessional.

Em entrevista à Renascença, D. Manuel Clemente diz esperar, também, que muitos participem, no sábado, na "Caminhada pela Vida", que está marcada para as 15h00, em Lisboa.

A petição é uma iniciativa europeia de leigos, mas tem o apoio expresso da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que pediu o empenho dos bispos e padres na sua divulgação.

O dia nacional de recolha de assinaturas vai decorrer no próximo domingo, dia 6. O Patriarca diz que é importante que os portugueses também ajudem a travar a febre legislativa que está a levar a Europa para o abismo.

Porque é que é importante assinar esta petição?
É importante como cidadania, e cidadania europeia, no caso. Ou seja, vivemos em sociedades democráticas que exigem uma constante corresponsabilidade e participação da parte dos cidadãos, e esta petição não proveio da hierarquia católica, proveio do laicado católico e de outras pessoas que se preocupam como as coisas vão andando na Europa neste campo dos direitos humanos básicos, como seja o direito à vida, desde a concepção até à morte natural. Há coisas que têm sido legisladas muito apressadamente, ou seja, deixam-nos surpreendidos com essa mesma legislação, quer em termos nacionais, quer europeus. Esta petição visa isso mesmo: visa que as instituições e os responsáveis, exactamente porque se trata de sociedades democráticas, tenham em atenção aquilo que são, realmente, os direitos e a própria vontade de grande parte dos cidadãos europeus. Porque, se não for assim, com uma atenção redobrada às questões da vida, as outras questões também ficarão mal resolvidas.

É relevante que neste caso - isto nem sempre acontece - os bispos tenham aderido desta forma?
Aderimos porque, em primeiro lugar, quer o Papa Bento XVI quer já o Papa Francisco foram dos primeiros a aderir. E, depois, porque estamos a 50 anos do Concílio Vaticano II, o Concílio que diz que  a responsabilidade da Igreja é de nós, todos os baptizados. E há muitas iniciativas em que os leigos não têm de estar à espera da hierarquia para tomar lugar, a vez e a voz, como se diz. Por isso, apoiámos. É uma iniciativa que aparece no âmbito político mais alargado, o da cidadania, e nós apoiamos, como, aliás, outros líderes religiosos, de outras confissões, e gente humanista, em geral, também apoia, porque isto é, sobretudo, um alerta para que não se tomem decisões de uma maneira, podíamos dizer, irreflectida, e que não tem em conta aquilo que são, efectivamente, direitos básicos, como o direito à vida.

Há a petição, no domingo, e há, em Lisboa, a Caminhada pela Vida, no sábado...
Há, e espero que corra muitíssimo bem, também como manifestação de cidadania democrática, em que as pessoas também ocupam o lugar público, que é de todos, para manifestar aquilo que lhes vai na intenção e aquilo que levam por diante como causa legítima. Portanto, só me resta esperar que corra tudo muito bem. Não é uma questão imediatamente confessional. Quem é cristão ou de outra religião em presença que também acredite no Deus criador por dentro de cada vida está, com certeza, aqui. Também está quem reflecte humanamente acerca de todas as consequências que se devem tirar de uma vida que, indubitavelmente, começa na concepção e que, se não se lhe opuser obstáculo, prosseguirá até à morte natural. [Espero] que todos participem e todos se apresentem, assim, com simplicidade. Não é ninguém contra ninguém. São, afinal de contas, todos a favor de todos.