Passos termina semana debaixo de fogo

21 set, 2012

CDS abre “as hostilidades” no Parlamento, no primeiro debate quinzenal com o primeiro-ministro depois das férias. Segue-se uma tarde de expectativa, regada pelo protesto dos portugueses na rua.
Passos termina semana debaixo de fogo
Vai ser intensa esta sexta-feira para o primeiro-ministro. De manhã, Pedro Passos Coelho vai estar no Parlamento para o primeiro debate quinzenal após o anúncio das medidas de austeridade; à tarde, recebe a CGTP pouco antes de o seu ministro das Finanças ser ouvido pelo Conselho de Estado.

O CDS é o primeiro grupo parlamentar a questionar o chefe do Governo, depois da reunião de ontem entre os dois partidos da coligação governamental e da tensão política dos últimos dias.

As perguntas vão incidir sobre "questões económicas, sociais e de soberania".

Mas hoje é também dia de Conselho de Estado, marcado para as 17h00, com a presença, numa fase inicial, do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, que o Presidente chamou a Belém após o anúncio de mais austeridade.

Ao longo dos últimos dias, os conselheiros de Estado foram dizendo de sua justiça sobre a situação do país e as medidas de austeridade. “Acho que o Governo está moribundo e não tem sensibilidade”, afirmou Mário Soares, enquanto Alberto João Jardim disse não estar disposto a morrer pelo país.

Durante a reunião, à porta, vai decorrer uma concentração, convocada de novo pelas redes sociais.

Antes, na Renascença, às 13h00, vai estar em debate o estado do país, do ponto de vista de quem está no terreno a prestar apoio social. São convidados o presidente da Confederação das Instituições de Solidariedade Social, padre Lino Maia, e a directora da Assistência Social da AMI, Ana Maria.


Passos Coelho recebe delegação da CGTP
O primeiro-ministro reúne-se hoje com uma delegação da CGTP, liderada pelo secretário-geral, Arménio Carlos, um encontro pedido pela central sindical com "carácter de urgência".

A reunião com Pedro Passos Coelho "tem como objectivo debater a grave situação económica e social" de Portugal e a apresentação, pela CGTP-IN, dos seus pontos de vista e das "propostas concretas que não passem por mais austeridade à custa dos rendimentos dos trabalhadores".

Na quarta-feira, Arménio Carlos tinha afirmado aos jornalistas de que iria entregar nessa tarde um pedido de reunião urgente para expor a sua posição em relação à crise do país, a revisão do memorando da 'troika', as medidas de austeridade e sobre a Taxa Social Única (TSU).

Na quinta-feira, a CGTP, que não assinou o acordo de Concertação Social firmado com o Executivo, anunciou que iria apresentar uma proposta para "taxar o capital", rejeitando qualquer medida que baixe os salários.