O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, apela ao Presidente da República para que este vete as alterações ao Código do Trabalho, defendendo que não basta a Cavaco Silva mostrar-se preocupado com o desemprego ou com os problemas sociais.
"Não estamos a apelar ao social-democrata Cavaco Silva, não estamos a fazer apelos a um membro do PSD, estamos a fazer um desafio claro ao Presidente da República que, segundo a própria Constituição, jurou cumprir e fazer cumprir a Lei Fundamental", afirmou Jerónimo de Sousa, durante uma conferência de imprensa na Assembleia da República.
Lembrando que a Constituição assume os direitos dos trabalhadores como fundamentais e "opta pela protecção da parte mais desprotegida na relação de trabalho", ou seja, os trabalhadores, o secretário-geral comunista sustentou que o novo Código do Trabalho aprovado no Parlamento com o voto favorável da maioria PSD/CDS-PP e a abstenção do PS "quer dar a mãos ainda mais livres ao patronato".
"Não basta que o Presidente da República se mostre de vez em quando preocupado com o desemprego ou com os problemas sociais. É preciso que, quando a sua intervenção é determinante, corresponda com a acção às preocupações das palavras. E a acção que se impõe é o veto das alterações ao Código do Trabalho", declarou.
Acompanhado pelo líder da bancada comunista, Jerónimo de Sousa renovou as críticas às alterações ao Código do Trabalho, considerando que as medidas consagradas terão "um desmedido impacto negativo nas condições de trabalho e na vida dos trabalhadores portugueses".