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Assembleia da República

PS chama presidente da Parque Escolar para clarificar derrapagem

08 mar, 2012 • Susana Martins

Bancada socialista antecipa manobras da oposição depois de o ministro da Educação ter apresentado uma derrapagem de 400% no orçamento da empresa, herança do anterior Governo de José Sócrates.
O PS pediu esta quinta-feira a audição do presidente da Parque Escolar, Sintra Nunes, na Assembleia da República, para contextualizar as contas da empresa. Os socialistas querem explicações sobre as contas apresentadas pelo ministro da Educação Nuno Crato, no Parlamento, que mostram que as obras de requalificação de escolas tiveram agravamentos de mais de 400% face ao projectado.

A ideia é avançar antes que outros avancem. Foi este o tom da reunião da bancada do Partido Socialista desta manhã sobre a gestão e obras da Parque Escolar com os deputados a admitir que seria bom requerer essa audição, em comissão, do responsável da empresa.

O deputado Vitalino Canas chegou mesmo a levantar a questão se não terá havido exagero de algumas obras que se fizeram, no sentido de animar sectores da construção civil.

O ex-ministro Vieira da Silva insurgiu-se contra esta versão de ter havido obras a mais, lembrando que esteve como ministro presente na inauguração de várias obras, sempre com a participação da comunidade local, alertando ainda para que não sejam os próprios deputados socialistas a servir de crítica à maioria parlamentar e ao Governo.

Também Manuel Pizarro, ex-secretário de Estado da Saúde, avisou que se houver algo menos claro sobre a Parque Escolar que não deve haver receios e que deve ser tudo apurado até ao fim.

Vitalino Canas alertou ainda que seria bom a bancada socialista fazer um trabalho de casa, fazendo um levantamento das obras da Parque Escolar distrito a distrito, para mostrar que uma eventual suspensão da Parque Escolar é uma desvantagem.

Ministro da Educação critica custos das obras
De acordo com o ministro Nuno Crato, o custo unitário estimado de cada obra da Parque Escolar aumentou mais de 400% desde 2007, chegando hoje a 15,45 milhões de euros, uma valor muito acima dos 2,87 milhões estimados. O tutelar da pasta da Educação citava dados de uma auditoria da Inspecção Geral de Finanças (IGF) à empresa pública.

Nuno Crato indicou que a IGF considerou que a Parque Escolar devia ter estabelecido "tectos máximos de investimento para cada escola" e devia também ter feito "uma apreciação crítica dos projectos de arquitectura".

O PS defende o projecto, sustentando que o investimento nas escolas se tornou uma prioridade, essencialmente devido à extensão da escolaridade obrigatória até aos 18 anos.