Miguel Cadilhe: “A democracia está mal. Não segrega a tempo os puros sacanas”

17 mar, 2015

Antigo ministro das Finanças faz um diagnóstico grave do estado de saúde da democracia e diz não acreditar que as próximas eleições legislativas resolvam alguma coisa.
Miguel Cadilhe: “A democracia está mal. Não segrega a tempo os puros sacanas”
A democracia, muitas vezes, escolhe quem não presta, o puro sacana. A opinião é do economista social-democrata Miguel Cadilhe, que identifica um quadro de crise no regime e lamenta que nem sempre a democracia privilegie os melhores e mais dignos.

"Por vezes, a democracia escolhe pessoas que não prestam. Como é que a democracia nem sempre distingue a tempo e não segrega os políticos de pouca diligência, de débil carácter, puro sacana, velhaco? Por vezes, o grande venal?", questionou durante a sua intervenção no Clube dos Pensadores, em Vila Nova de Gaia, na segunda-feira à noite.

"A democracia deveria ter mecanismos de alerta. E tem, mas funcionam mal e tarde. E por vezes a democracia afasta os melhores e flagela o mérito, a honra, a rectidão", acrescentou Cadilhe.

O antigo ministro das Finanças lamenta ainda que não tenha surgido nos últimos anos um verdadeiro reformador e que não se tenha promovido qualquer reforma do Estado.

Neste quadro, as previsões de Miguel Cadilhe para o futuro próximo não são as melhores: "Já não é o político A ou B que avistamos. Já não é um Passos ou um Costa, pessoas de bem. Não são esses quem importa. Já cheguei a uma fase da vida em que conclui que é preciso estar acima disso, porque a democracia não está bem. Ora, desse mal ruim, as eleições de 2015, que estão aqui à porta, nada vão tratar e resolver, infelizmente, o que é grave e muito muito delicado".