Advogado abandona tribunal sem esclarecer se Sócrates foi ouvido

22 nov, 2014

João Araújo promete voltar este domingo. O ex-primeiro-ministro está a ser ouvido pelo juiz Carlos Alexandre no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.
Advogado abandona tribunal sem esclarecer se Sócrates foi ouvido

João Araújo, que se apresenta como advogado de José Sócrates, saiu do Campus de Justiça, em Lisboa, às 21h17 sem esclarecer se o interrogatório chegou a começar ou se o seu cliente vai continuar detido.

Aos jornalistas, que o esperavam no exterior, não deu pormenores sobre as diligências nas últimas horas, mas prometeu voltar este domingo.

“Não posso esclarecer por respeito ao segredo de justiça, por vontade do cliente, por minha vontade”, disse.

João Araújo acrescentou que “amanhã, eventualmente”, fará “uma declaração” sobre o caso. Agora, “vou para sopas e descanso”, referiu o advogado.

José Sócrates terá sido ouvido pelo juiz Carlos Alexandre no Campus de Justiça, no âmbito de uma investigação a alegados crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

O ex-primeiro-ministro foi detido na sexta-feira à noite, quando chegava ao aeroporto de Lisboa proveniente de Paris. Esta é a primeira vez na história da democracia portuguesa que um antigo primeiro-ministro é detido para interrogatório.

Além de Sócrates, foram detidos, na quinta-feira, o empresário Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o motorista João Perna.

A PGR esclareceu que investigação é independente de outros inquéritos, como o “Monte Branco” ou “Furacão”, adiantando que teve origem numa comunicação bancária, “efectuada ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) em cumprimento da lei de prevenção e repressão de branqueamento de capitais".

"O inquérito, que investiga operações bancárias, movimentos e transferências de dinheiro sem justificação conhecida e legalmente admissível, encontra-se em segredo de justiça", lembrou a PGR.