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João Soares critica detenção de Sócrates

22 nov, 2014 • Eunice Lourenço

Antigo opositor de Sócrates diz que está em curso uma "tentativa de humilhação" do antigo primeiro-ministro.

João Soares condena a detenção de José Sócrates e escreveu no Facebook um texto em que questiona os acontecimentos da noite de sexta-feira e considera que está em curso "uma tentativa de humilhação do próprio ex-primeiro- ministro".

O deputado socialista começa por dizer que não aceita "a prisão ("que pudicamente" designam por detenção") de um antigo primeiro-ministro a não ser "por crime de sangue, em flagrante delito".

Em seguida, escreve que "a prisão de José Sócrates, ao início da noite no aeroporto de Lisboa, com pelo menos uma câmara de TV de sobreaviso, é, antes de tudo, uma tentativa de humilhação do próprio ex-primeiro ministro".

E acrescenta que essa tentativa é "ainda mais perversa" por ser feita numa sexta-feira à noite.

Para João Soares, não se colocaria quanto a Sócrates a hipótese de tentativa de fuga, nem de obstrução à justiça. "Se há que julgar, o que quer que seja, que se julgue rapidamente e com a isenção que se exige da justiça. Humilhar e pré-condenar na praça publica, não. Os efeitos perversos e de desmoralização pública de uma iniciativa judicial como esta são dificilmente avaliáveis", prossegue o deputado, que se declara "amigo" de Sócrates, mas lembra que também foi seu opositor em eleições internas no PS.

Antes de João Soares, entre os socialistas notáveis com presença assídua nesta rede social só Edite Estrela se tinha referido ao assunto, ainda que indirectamente. "Qual a melhor forma de desviar as atenções do escândalo dos vistos gold?", perguntou a ex-eurodeputada na sua conta no Facebook.

Leia a mensagem de João Soares na íntegra:

"Excepto por crime de sangue, em flagrante delito, não aceito a prisão (que "pudicamente" designam por detenção) de um ex-Primeiro Ministro como José Sócrates. É a minha opinião pessoal, só a mim vincula, vale o que vale a opinião de qualquer outro cidadão, mas é a minha opinião e fica dada com clareza e frontalidade, aqui e agora. A prisão de José Sócrates, ao inicio da noite no aeroporto de Lisboa, com pelo menos uma camara de TV de sobreaviso, é, antes de tudo, uma tentativa de humilhação do próprio ex-Primeiro Ministro. Tratando-se de uma sexta feira à noite, é, na minha opinião, uma ainda mais perversa tentativa de humilhação. Em relação a uma personalidade como José Sócrates, por maioria de razão tendo já sido Primeiro Ministro, não é admissível que se coloque sequer a possibilidade de fuga, ou obstrução à justiça. Se há que julgar, o que quer que seja, que se julgue rapidamente e com a isenção que se exige da justiça. Humilhar e pré-condenar na praça publica, não. Os efeitos perversos e de desmoralização publica de uma iniciativa judicial como esta, são dificilmente avaliáveis. Sou amigo de José Sócrates. Apoiei, empenhada e convictamente, as candidaturas do PS que encabeçou ao cargo de Primeiro Ministro e não me arrependo. No plano interno do PS, nunca o apoiei e raramente estive com ele, nomeadamente na ultima e recente disputa interna. Ele esteve, publica e empenhadamente, com o vencedor, eu, firme e convictamente, com o derrotado. Também não me arrependo. Mas faço, como sempre disse, uma avaliação muito positiva dos Governos que José Sócrates dirigiu. E é isso que aqui quero deixar nesta hora difícil que ele, José Sócrates, está viver."