António Costa. PS deve orgulhar-se "do impulso reformista" de Sócrates

06 jun, 2014

Autarca lança candidatura à liderança do PS com um discurso onde coube uma lição do Padre António Vieira e um desejo: "Portugal precisa de pacificação".
António Costa. PS deve orgulhar-se "do impulso reformista" de Sócrates

O PS deve orgulhar-se da "visão estratégica" de António Guterres e "do impulso reformista" de José Sócrates, defendeu, esta sexta-feira, no Porto, António Costa, na apresentação da sua candidatura à liderança do partido.

"A minha única ambição é dar força ao PS para formar uma solução de governo forte e coesa. O PS tem de saber falar ao país. Não me envolverei em querelas estatutárias, nem me envolverei em ataques pessoais", afirmou o presidente da Câmara de Lisboa, que voltou a afirmar que se candidata à liderança dos socialistas "por imperativo de consciência".

Para António Costa, "não basta garantir uma simples alternância" sem alternativa, já que isso só "servirá para criar mais desilusão, mais descrença, mais desconfiança".

"Não tenhamos dúvidas: se pensarmos como a direita pensa, acabamos a governar como a direita governou. A mudança necessária exige ruptura com a actual maioria e a sua política", enfatizou o candidato a líder do PS, para quem os socialistas são europeístas, mas não podem ser "euro-ingénuos".

Direita "dividiu portugueses". Costa quer "gerar compromissos"
No discurso, na Fundação Eugénio de Almeida, Costa explicou as linhas em que baseará a sua governação, se chegar a primeiro-ministro. “Portugal precisa de pacificação”, disse. Portugal precisa de mais: precisa de políticas que fortaleçam as empresas e promovam a sua “internacionalização”.

“Em tornos destes objectivos”, é possível “gerar compromissos”, algo que, afirmou, contrasta com a governação actual. “No governo, a direita dividiu, atirou os portugueses uns contra os outros”, atacou.

“O PS estimulará as parcerias, a concertação, o trabalho em rede”, prometeu. “Numa palavra, unirá os portugueses para melhorar Portugal”. O lema da campanha vai nesse sentido: "Mobilizar Portugal".

“Sei que há dentro e fora do PS uma grande corrente de apoio. Esse apoio sensibiliza-me”, disse Costa, que se dirige “a todos os socialistas” e a “todos os portugueseses”. “Apelo a que se juntem a mim, se juntem a nós para sermos a força da mudança do nosso país”.

“Como escreveu o Padre António Vieira, a mais fiel companheira das almas é a esperança. A esperança é desejo e confiança. Funda-se, constrói-se, alimenta-se. É esse o nosso desafio”, disse.

[notícia actualizada às 20h30]