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"Liberdade só existe quando se dá às pessoas a sua dignidade social"

25 abr, 2014 • Matilde Torres Pereira

Durante a sessão solene dos 40 anos do 25 de Abril no Parlamento, António José Seguro agradeceu aos militares da Revolução, criticou os políticos que não cumprem as promessas e defendeu mudanças na Europa contra "o pensamento único ultraliberal".
"Liberdade só existe quando se dá às pessoas a sua dignidade social"
"Liberdade só existe quando se dá às pessoas a sua dignidade social"
Num discurso fortemente crítico às ameaças ao Estado social, António José Seguro dirigiu-se esta sexta-feira aos portugueses “que passam por enormes sacrifícios”, citando Miguel Torga: “Há a liberdade de falar e a liberdade de viver, mas essa só existe quando se dá às pessoas a sua dignidade social”. António José Seguro defendeu ainda mudanças na Europa, para uma “democracia onde a justiça não prescreve e a política e negócios não se misturam".
Num discurso fortemente crítico às ameaças ao Estado social, António José Seguro dirigiu-se esta sexta-feira aos portugueses “que passam por enormes sacrifícios”, citando Miguel Torga: “Há a liberdade de falar e a liberdade de viver, mas essa só existe quando se dá às pessoas a sua dignidade social”.

Durante a sessão solene das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, na Assembleia da República, o líder do Partido Socialista afirmou que os ideais de Abril passam também por “não permitir que ninguém seja atirado para as traseiras da vida”, sendo esse “o espírito de Abril” que os socialistas afirmam como “ambição e compromisso”.

Seguro citou os progressos na saúde, na esperança de vida dos portugueses, na protecção social, no combate às desigualdades sociais, na abertura de Portugal ao mundo para descrever o “ciclo de progresso gerado nas quatro décadas de liberdade” em que os portugueses construíram serviços “para uma maior justiça social” – a “matriz” de um Estado social que diz “hoje ameaçado”.

“O 25 de Abril”, disse, “não foi obra do acaso”. “Enquanto há vida, há sempre alternativa”, afirmou Seguro, defendendo a construção de um país “onde qualquer um pode vencer, onde não importa o dinheiro que se tem, a maneira como se veste ou quem se ama”.

“Este país é possível e é esta a missão de Abril: cumprir Portugal pelas nossas próprias mãos”, terminou.

“Europa tem de mudar e Portugal tem de participar na mudança”
Durante o discurso na sessão solene na Assembleia, o líder socialista criticou o “pensamento único” e a “mão invisível dos ultraliberais”, que constituem um “ataque à liberdade” e a “destruição da classe média”.

António José Seguro defendeu mudanças na Europa, para uma “democracia onde a justiça não prescreve e a política e negócios não se misturam”, e, na Europa, a “luta contra a nova cortina de ferro” criada “entre cumpridores e não cumpridores”, “entre Norte e Sul”.

“O ideal europeu é de cooperação e não de competição”, acrescentou, defendendo que “só assim a Europa justifica a razão pela qual foi criada, e só assim ultrapassa a crise e a imoralidade de alguns países ganharem com a crise enquanto outros não”. 

Elogio aos capitães ausentes
“O 25 de Abril”, afirmou Seguro, “é uma data fundamental da História de Portugal”, e que “abriu horizontes para os portugueses”, não foi obra do acaso, foi resultado de decisões patriotas que, com ousadia, agiram” para derrubar a ditadura.

Apesar de os capitães de Abril estarem a celebrar a data no Largo do Carmo, longe do Parlamento, por não ter sido dada a palavra a Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, António José Seguro não deixou de elogiar os militares que agiram para trazer a democracia ao país: “as palavras ficarão aquém” para descrever “a bravura dos capitães de Abril”, disse.

“Obrigado capitães de Abril! Obrigado!”, declarou o líder socialista, entre as palmas vindas das bancadas. “Obrigado pela vossa coragem e desprendimento.”