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Assunção Esteves teme o “egoísmo” da Europa

03 jan, 2014 • Eunice Lourenço e Paulo Ribeiro Pinto

No dia em que o Parlamento regressa ao trabalho depois das férias de Natal e Ano Novo, fique a saber quais os desejos e medos para 2014 da segunda figura do Estado.
Assunção Esteves teme o “egoísmo” da Europa
Assunção Esteves teme o “egoísmo” da Europa
A presidente da Assembleia da República garante ser uma optimista, mas admite também ter alguns receios para 2014, nomeadamente não conseguir fazer todas as reformas que gostaria de fazer no Parlamento. Em entrevista à Renascença, no dia em que os deputados regressam ao trabalho depois das férias,Assunção Esteves diz ainda temer o "egoísmo" da Europa, e afirma que a Comissão Europeia e as outras instituições têm de ter um papel mais activo no combate ao desemprego.
O maior desejo de Assunção Esteves é que se construa uma “Europa social”, mas a presidente da Assembleia da República receia que o “egoísmo” impeça as instituições europeias de se agilizarem. Numa declaração à Renascença sobre os seus desejos e receios para 2014, a segunda figura do Estado diz que o seu desejo para 2014 é uma co-responsabilização europeia em matéria social.

“É a ideia de a Comissão Europeia e as instituições centrais da União Europeia terem uma co-responsabilidade imediata na protecção do desemprego. Isso seria o melhor anúncio e é o desejo mais intenso que tenho como cidadã europeia e como cidadã portuguesa”, afirma a presidente do Parlamento, rejeitando que seja uma proposta de desresponsabilização. Pelo contrário, sublinha, "sempre que somos ajudados temos um sentido de auto-responsabilidade crescente".

Quanto aos seus receios, Assunção Esteves até recorre a palavras fora do dicionário. “Temos sempre um receio humano de não conseguir. O meu medo é o do inconseguimento, em muitos planos: o do inconseguimento de não ter possibilidade de fazer no Parlamento as reformas que quero fazer, de as fazer todas, algumas estão no caminho; o inconseguimento de eu estar num centro de decisão fundamental a que possa corresponder uma espécie de nível social frustracional derivado da crise."

Nestas declarções reconhece que os momentos difíceis também dão oportunidades de sentir a "nossa missão humana no mundo", mas também tem medo que a crise não permita espaços de energia para ser mais criativa.

Mas o seu maior receio é de “um não conseguimento ainda mais perverso: o de a Europa se sentir pouco conseguida e de não projectar para o mundo o seu 'soft power sagrado', a sua mística dos direitos, a sua religião civil da dignidade humana. E não conseguirá se não for capaz de agilizar as suas instituições políticas.”
 
A presidente do Parlamento conclui.“Tenho medo do egoísmo, do egoísmo que nos deixa de certo modo castrados em termos pessoais e nos deixa castrados em termos colectivos.”