Passagem de Rui Machete pelo BPN omitida da biografia oficial

23 jul, 2013

Histórico social-democrata Rui Machete vai ser o novo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

Passagem de Rui Machete pelo BPN omitida da biografia oficial

A passagem do ministro nomeado dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, pela SLN, sociedade gestora do BPN, não consta na biografia enviada aos órgãos de comunicação social pelo gabinete do primeiro-ministro.

O histórico social-democrata, de 73 anos, vai ser o chefe da diplomacia portuguesa, cargo até agora ocupado por Paulo Portas, que é promovido a vice-primeiro ministro.

A tomada de posse está marcada para esta quarta-feira, no Palácio de Belém.

"Escolha de muito mau gosto"
O coordenador político do Bloco de Esquerda já criticou a nomeação de Rui Machete como ministro devido à sua passagem pelo conselho superior do grupo BPN/SLN.

“Uma palavra de protesto pela escolha de Rui Machete. Rui Machete foi, durante muitos anos, presidente do conselho superior do grupo BPN/SLN, teve um posição de grande responsabilidade, muito proximidade ao que se verificou naquele grupo e que nós todos hoje sabemos, até porque estamos a pagar muitos milhões de euros que as fraudes sucessivas no grupo BPN/SLN  provocaram”, afirma João Semedo.

Para o líder bloquista, trata-se de “uma escolha de muito mau gosto” e o "Presidente da República ao aceitar a nomeação e Pedro Passos Coelho ao propor o nome de Rui Machete, mostram arrogância e displicência relativamente aos portugueses, à opinião pública.
 
"Pode-se falar de falta de vergonha nesta escolha. O passado de Rui Machete não recomenda nem aconselha a sua nomeação”, conclui João Semedo.

Em Julho de 2011, o Bloco de Esquerda já tinha considerado “lamentável” a escolha de Rui Machete para vice-presidente da mesa da assembleia geral da Caixa Geral de Depósitos (CGD), devido à sua passagem pelo sociedade gestora do BPN.

No entanto, em Abril de 2009, na comissão de inquérito à nacionalização do BPN, Rui Machete defendeu-se. O antigo presidente do conselho superior da SLN disse que nada sabia em pormenor do que se passava no BPN. “Pelo conselho superior, os seus membros não tinham um conhecimento minucioso do que se passava no banco. Houve um ponto que me impressionou negativamente que foi a circunstância de nos seus relatos o banco se apresentar um pouco como um one man show.”

Esta é a segunda vez que a passagem de um membro do Governo pela SLN é omitida. Em Janeiro deste ano, uma situação idêntica aconteceu quando Franquelim Alves foi anunciado como secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação.

Franquelim Alves foi administrador para a área não financeira da Sociedade Lusa de Negócios, entre Janeiro e Outubro de 2008, mas o facto não constava no currículo enviada pelo gabinete do primeiro-ministro à comunicação social.

A sua nomeação para o Governo foi contestada pela oposição. Na resposta, Franquelim Alves garantiu na altura que não ter nada a esconder em relação à sua passagem pela sociedade gestora do BPN e salientou que não era acusado nem arguido.