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"Eleições são vantajosas" até para o PSD

03 jul, 2013 • José Pedro Frazão

O social-democrata Pacheco Pereira critica a actuação do primeiro-ministro e do Presidente da República.
"Eleições são vantajosas" até para o PSD

O primeiro-ministro tem um “sentido de actuação completamente suicidário” e, neste momento, o país só teria a ganhar com eleições antecipadas, defende Pacheco Pereira, em entrevista à Renascença.

Pedro Passos Coelho recorreu a um “truque político para obrigar o CDS a ser ele responsável, do ponto de vista formal, pela queda do Governo”, afirma o historiador.

“Há aqui um claro truque típico que é: eu vou colocar-te na posição de poder dizer que foste tu que deitaste isto abaixo, mas isso, infelizmente, é completamente fora daquilo que é o contexto e as necessidades nacionais.”

“Se o primeiro-ministro acha que aquilo que a troika e os nossos credores querem é um Governo presidido por ele, a ferro e fogo, a aplicar um programa de ajustamento, está completamente enganado”, afirma Pacheco Pereira.

A “troika” e os credores, sublinha, querem um entendimento entre PSD, CDS e PS e “encontrar estabilidade para uma política de crescimento” em Portugal.

“Contrariamente ao que pode parecer à primeira vista, as eleições são vantajosas, porque as eleições são, neste momento, o instrumento que pode alargar a margem de manobra para todos os partidos, mesmo para o próprio PSD. Ao alargar a margem de manobra, vai permitir, certamente, encontrar novas formas e novos entendimentos que possam enfrentar quer esta fase final do programa da troika quer, eventualmente, aquilo que o Presidente está a sempre a falar, que é o pós-troika”, refere Pacheco Pereira.

E o PSD deve pensar rapidamente num novo líder? O antigo deputado considera que se Passos Coelho e o seu grupo de apoiantes quiserem “vão a eleições”, porque controlam o aparelho partidário.
 
“Há muitas gente cuja carreira depende inteiramente do partido e essas pessoas bloqueiam qualquer desenvolvimento e permitiram estes últimos anos”, sublinha Pacheco Pereira, para quem “neste momento, um grande problema para a nossa democracia é que partidos como o PSD e o PS estão completamente dominados pela carreiras da sua elite dirigente”.

Para o social-democrata, “a não ser que houvesse um grande cataclismo, neste momento, nenhum congresso pode mudar, essencialmente, a situação, se os actuais dirigentes permaneceram como estão e como são. Não tenho nenhuma ilusão sobre isso”.

Pacheco Pereira também deixa críticas ao Presidente da República. Cavaco Silva perdeu margem de manobra “para fazer aquilo que seria necessário: um Governo mais ampliado, com vários partidos, eventualmente até com acordos com centrais sindicais”.

“Por culpa própria, isolou-se, colou-se demasiado ao Governo, passou a considerar que a manutenção do Governo, contra tudo e contra todos, era a única coisa fundamental, ganhou um medo de eleições. Eu sei que as eleições antecipadas são um grande risco, mas às vezes não se consegue avançar sem esse risco”, diz o antigo deputado.