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Parlamento vota adopção de crianças por casais do mesmo sexo

17 mai, 2013 • Paula Caeiro Varela

As contas estão suficientemente baralhadas para ser difícil prever o resultado da votação, mas o resultado não deverá ser diferente do alcançado no ano passado. Psicólogo apela à defesa do interesse da criança e não dos pares do mesmo sexo.
O Parlamento debate, esta sexta-feira, os projectos do PS e do Bloco de Esquerda sobre a adopção e co-adopção de crianças por casais homossexuais. Nas bancadas de PS e PSD, há liberdade de voto.

Vai mesmo ser preciso esperar pela contagem dos votos, esta sexta-feira, em plenário, mas dificilmente haverá votos suficientes à direita para garantir a aprovação dos projectos.

A orientação da bancada do PSD é para votar contra. É verdade que há, como de costume, liberdade de voto, mas, na anterior votação, em 108 deputados, apenas sete votaram a favor, tendo havido ainda duas abstenções.

Do lado do CDS, o deputado Ribeiro e Castro mostra-se contra o projecto.

“Não podemos ter um regime de adopção que conflitue e destrua o direito fundamental da pessoa à sua identidade pessoal e todos nós, qualquer criança, qualquer ser humano, é sempre filho de um pai e de uma mãe. Seja pelo que for”, justifica.

A esquerda, por seu lado, está a contar com as abstenções para baralhar ainda mais as contas. O PCP apresenta, agora, uma mudança de posição, com a votação a favor do projecto socialista.

O PS, por seu lado, tem liberdade total para votar a co-adopção. Nem sequer houve indicação do sentido de voto por parte da direcção da bancada.


“O que está em jogo é se é bom ou não para as crianças”
O psicólogo clínico e psicoterapeuta Abel Matos Santos defende que na base da decisão política não deve estar o interesse de casais do mesmo sexo, mas sim o da criança.

“O que deve nortear a decisão política é o superior interesse da criança e não o interesse dos homossexuais. O que está aqui em jogo é se é bom ou não para as crianças serem adoptadas e viverem com pares homossexuais”, começa por sublinhar nas suas declarações à Renascença.

“Do ponto de vista clínico e científico – e nós temos de nos cingir à ciência – existem centenas de estudos internacionais que mostram que as crianças estão bem é com um pai e uma mãe. Na ausência de um pai e de uma mãe, por acidente ficarem órfãs, estas crianças devem ser capaz de desenvolver dentro de si próprias a ideia do pai e da mãe que perderam”, sustenta o mestre em psicologia da saúde.