O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, considera que os sacrifícios impostos pela aplicação do programa de ajustamento em Portugal devem ser bem repartidos.
E se enquanto alemão Martin Schulz é um defensor do rigor orçamental, enquanto socialista defende, em declarações à Renascença, que o mesmo só faz sentido se for acompanhado de medidas que estimulem o crescimento.
“Portugal é um país que sofre muito actualmente e tem um desequilíbrio social que é preocupante. Aquilo de que precisamos em Portugal e noutros países da União é de um debate sobre a repartição dos sacrifícios e dos contributos que os diferentes grupos da população são capazes de fazer. É bom que na Europa não nos limitemos a discutir sobre a redução das despesas nos orçamentos, sobre o rigor orçamental. Se há algo de que Portugal precisa é de crescimento e de lutar contra o desemprego.”, disse.
Schulz sabe bem que Portugal é apresentado pelo Governo do seu país como um bom exemplo, como a prova de que os programas de ajustamento defendidos por Berlim funcionam. Mas considera que se é esse o caso, a Alemanha também tem responsabilidades acrescidas no apoio a Portugal.
“Espero que eles tenham razão. Espero que Portugal seja um bom exemplo, pois se for esse o caso vai sair da crise bastante depressa. Mas frequentemente os bons exemplos descritos pelos alemães e por outros governos são aqueles que, aos seus olhos, seguem mais de perto o rigor orçamental. O rigor orçamental é indispensável. Mas de que serve se de um lado pedimos sacrifícios enormes e, do outro, os spreads não baixam? O mesmo governo que na Alemanha diz que em Portugal está a haver progressos devia ajudar com um pacote europeu de relançamento económico. Se os alemães acham que Portugal é um bom exemplo isso é bom, mas então ajudemos os bons exemplos a sair mais depressa da crise dando-lhes os meios necessários para investir.”, acrescenta.
Schulz considera ainda que é indiscutível que a descida das taxas de juro de vários países a que se assiste actualmente, entre os quais Portugal, se deve não à aplicação do programa de ajustamento, mas única e exclusivamente à intervenção do Banco Central Europeu.