A deserção do primeiro-ministro sírio, Riyad Hijab, significa a “crescente fragilidade” do regime do presidente Bashar al-Assad, afirma Ana Santos Pinto, do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI).
“Esta deserção do primeiro-ministro e de algumas figuras de relevo do Exército, a confirmarem-se as notícias que têm vindo a ser difundidas, revela uma crescente fragilidade e uma noção de abandono daquelas que são figuras da sociedade síria e que têm apoiado Bashar al-Assad face à opção pela violência e pela repressão crescente.”
No entanto, sublinha Ana Santos Pinto, “é importante salientar que não estamos a falar de uma fragilidade que leve a uma quebra iminente do regime”.
A investigadora do IPRI explica que a Síria tem um “regime muito centralizado, dominado por um núcleo duro”, e que o primeiro-ministro, apesar de ser uma figura politicamente importante, “não faz parte de uma das pedras chave que possa fazer cair Bashar al-Assad”.
Para Ana Santos Pinto, um aumento da violência pode levar a mais abandonos no regime sírio, que enfrenta uma revolta há mais de um ano, na qual já morreram mais de 17 mil pessoas.
O primeiro-ministro Riyad Hijab abandonou a Síria com a sua família. Um porta-voz do governante indica que Hijab está na Jordânia e irá para o Qatar.
O Conselho Nacional Sírio, principal força da oposição, disse hoje que dois ministros e três altos responsáveis do exército podem ter também desertado, embora esta informação careça de confirmação independente.