Líderes europeus divididos em cimeira de Bruxelas

28 jun, 2012 • Daniel Rosário, em Bruxelas

Espanha e Itália pedem flexibilidade, França apoia, mas Berlim acredita que só com um avanço rápido no sentido de uma maior cedência de soberania orçamental se pode sair da crise.
Líderes europeus divididos em cimeira de Bruxelas
Os líderes europeus dão esta quinta-feira início a um Conselho Europeu em que a crise na Zona Euro é mais uma vez o tema principal. Mas começam divididos entre a necessidade de dar uma resposta urgente às necessidades de curto prazo e a vontade de abrir caminho para um salto no sentido de aprofundar a integração económica e política.

O principal objectivo é evitar que Espanha e Itália sejam os próximos a afundar-se.
Pressionados pelos mercados, com as taxas de juro em valores incomportáveis, Madrid e Roma pressionam os parceiros para obter uma flexibilização dos instrumentos europeus de resgate.

Espanha quer que a ajuda aos bancos não penalize a contabilidade do país. Itália quer que o fundo europeu ou o Banco Central Europeu (BCE) intervenham no mercado da dívida para fazer baixar os juros.

A França apoia, a Alemanha e os seus parceiros do costume rejeitam.

Em contrapartida, Berlim acredita que só com compromissos em relação ao futuro se conseguirá tranquilidade no presente e, por isso, defende um avanço rápido no sentido de uma maior cedência de soberania orçamental por parte dos países do euro.

A criação de uma união bancária, com uma supervisão comum da banca seria o primeiro passo. Para culminar, a médio e longo prazo, numa estrutura de carácter federal.

Obrigações europeias talvez, mas só muito mais à frente neste processo.

Da cimeira de hoje, vai sair, finalmente, o Pacto para o Crescimento, que complementará o Tratado Orçamental com a sistematização de medidas já discutidas e algumas aprovadas ao longo dos últimos meses.

E há duas certezas em relação a este Pacto: terá um estatuto jurídico inferior ao do tratado da disciplina orçamental e, entre os muitos milhares de milhões de euros que se esperam que sejam anunciados, não haverá um cêntimo de dinheiro novo – será dinheiro proveniente do reforço do capital do Banco Europeu de Investimento, da reafectação dos fundos estruturais e das obrigações europeias para financiar alguns projectos de infra-estruturas.

O Conselho Europeu prolonga-se até sexta-feira e, tal como em ocasiões anteriores, é na segunda-feira que ficará claro se os mercados se dão por satisfeitos com as decisões tomadas.