Apesar de o resultado ser esperado, a vitória do “sim” no referendo ao tratado orçamental europeu na Irlanda, e sobretudo a sua expressão significativa, 60%, foi recebida com alívio em Bruxelas.
O novo tratado pode entrar em vigor mesmo que não tenha sido ratificado por todos países signatários, mas o facto de a Irlanda ser o único país a realizar um referendo deu uma carga política especial a este escrutínio.
Os comunicados com as diferentes reacções não se fizeram esperar. Durão Barroso, o presidente da Comissão Europeia, recordou que o tratado é um componente essencial da resposta europeia à crise. E afirmou que com esta decisão, a Irlanda, que tal como Portugal se encontra sob resgate, deu um passo essencial para a sua recuperação económica.
"Quero felicitar muito sinceramente o povo irlandês pelo sua decisão clara e forte a favor da disciplina, convergência e também estabilidade no seio da União Europeia. Foi um sinal muito importante para a Irlanda, mas também para a toda União Europeia. Esta decisão aumenta a confiança na acção comum ao nível europeu para ultrapassar as actuais dificuldades e para dar à Europa aquilo que a Europa mais precisa, que é estabilidade e crescimento," afirmou Durão Barroso.
Herman Van Rompuy alinhou pelo mesmo diapasão. O presidente do Conselho Europeu considera que o resultado do referendo é um passo importante no caminho da recuperação e estabilidade, acrescentando que ao votar “sim” os irlandeses deram o seu aval e compromisso com a integração europeia.
A situação na Grécia e o facto de os países que não aprovem o tratado não poderem aceder à ajuda financeira europeia terão sido argumentos de peso nesta decisão que mobilizou apenas metade do eleitorado irlandês.
A Irlanda torna-se assim no nono país a ratificar o tratado assinado em Março por 25 países da União.