Mais de 55 pessoas morreram e pelo menos 372 ficaram feridas no atentado desta quinta-feira em Damasco, a capital da Síria. O balanço foi divulgado esta tarde, na televisão estatal, pelo ministro do Interior sírio.
Num relato feito à Renascença a partir de Damasco, Rabab Alifa, porta-voz da Cruz Vermelha na Síria, revela que os atentados desta quinta-feira e a violência dos últimos dias estão a contribuir para um aumento do sentimento de insegurança entre os sírios.
“Damasco acordou esta manhã ao som de explosões. Na altura eu estava ainda em casa, ouvi as explosões e de facto elas foram sentidas em muitos pontos da cidade”, conta.
Duas explosões simultâneas atingiram um complexo dos serviços secretos em Damasco. As autoridades atribuem o incidente ao exército rebelde, classificado como um grupo terrorista armado.
“Neste momento a situação está mais calma, mas naturalmente as pessoas sentem-se inseguras em várias zonas há já algum tempo…e o incidente ocorreu quando muitas pessoas se deslocavam para os seus locais de trabalho. Por isso, as pessoas sentem-se inseguras aqui em Damasco.”
Nestas declarações à Renascença, o porta-voz da Cruz Vermelha na Síria garante que os voluntários estão prontos para actuar em todos os cenários, embora seja desejável que o plano de paz delineado pela ONU comece a dar frutos o mais depressa possível.
“É muito difícil antecipar o que vai acontecer a seguir. Aquilo que posso garantir é que a Cruz Vermelha, em cooperação com o Crescente Vermelho, continuará a prestar assistência humanitária a quem necessite”, diz Alifa.
“Por outro lado, continuamos a fazer votos para que o plano de paz delineado pela ONU traga paz à Síria. A calma é mais do que bem vinda e mesmo depois disso haverá sempre necessidades humanitárias para acudir durante algum tempo”, conclui.
A violência na Síria não dá sinais de abrandamento. Já quarta-feira uma bomba explodiu contra a coluna de viaturas dos observadores da ONU, que estão no país precisamente para controlar o plano de cessar-fogo estabelecido há quase um mês.