Qualquer força estrangeira será tratada como uma força invasora da Guiné-Bissau, avisa o porta-voz do comando militar que tomou o poder.
“As Forças Armadas da Guiné têm a missão de defender a integridade territorial. Havendo uma invasão qual deve ser a nossa atitude: opormo-nos à invasão”, declarou Daba Na Walna, em conferência de imprensa, em Bissau.
Os revoltosos argumentam que o envio de uma força de paz das Nações Unidas “implica a existência de partes beligerantes, mas aqui não há partes beligerantes”. Daba Na Walna nega a existência de divisões nas Forças Armadas.
O porta-voz do comando militar responde assim ao pedido de Portugal, na ONU, em defesa de uma força de interposição de paz para repor a lei na Guiné-Bissau.
Daba Na Walna não poupou ninguém, a começar ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que acusa de “andar a reboque de Angola” por causa dos petrodólares.
Ao contrário de Angola, a Guiné-Bissau é um país livre, diz o porta-voz dos revoltosos, que não poupa nas críticas ao ministro angolano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Chicoti.
“Devo dizer que esse homem habituou-se à violência, porque foi da UNITA e passou para o MPLA. Muda de cor política como muda de roupa interior.”
Sempre com Angola na mira, o porta-voz do comando militar volta ao ponto de partida e considera a presença Angolana na Guiné está na base deste golpe de Estado.
Os revoltosos prometem continuar a negociar uma solução pacífica, segunda-feira, com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).