Foram reabertas as fronteiras na Guiné-Bissau, fechadas após o golpe de Estado de quinta-feira.
“Que tenha notícia, as fronteiras estão abertas. Logo no primeiro dia, mandámos fechar as fronteiras por razões de segurança. Hoje, estão completamente abertas”, afirma o porta-voz do comando militar, tenente-coronel Daba Na Wana, em declarações à Antena 1.
Daba Na Wana aponta o dedo a Portugal e à comunicação social por ter criado o pânico no país ao enviar uma fragata para resgatar portugueses.
“Criou o pânico na Guiné e na cidade de Bissau. Mas não passa disso mesmo, de uma notícia de uma fragata que vem para aqui, trazendo portugueses para uma situação de emergência, mas espero que essa situação não aconteça aqui. Que não haja nada que justifique emergência aqui, porque estamos serenos e calmos e estamos a procurar constantemente o entendimento. Vamos negociar com os nossos parceiros, dentro sempre do espírito cordial. Não há guerra”, garante.
As declarações do porta-voz do comando militar foram feitas antes da reunião com a delegação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, que já terminou de madrugada.
Aos militares foi exigido o retorno à ordem constitucional e a libertação do Presidente interino, Raimundo Pereira, e do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior.
Em Portugal, o Governo continua a acompanhar de perto a situação na Guiné Bissau. Ontem à tarde, em Lisboa, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, garantia que não havia qualquer alteração relativa à situação dos portugueses no país e sublinhou que o consenso da comunidade internacional sobre a situação na Guiné-Bissau devia fazer meditar os autores do golpe militar.
População procura terras mais seguras
A população de Bissau ignora os apelos à calma feitos pelos militares responsáveis pelo golpe de Estado e continua a abandonar em massa a capital guineense.
“Passei há bocado na zona da paragem central e nota-se que a grande massa da população a tentar abandonar a capital em direcção a zonas do interior, mais seguras”, relata o jornalista Amadou Uri Djalo, correspondente da Renascença na Guiné-Bissau.
“Isto, apesar dos apelos de acalmia lançado pelo porta-voz do Estado Maior General das Forças Armadas que disse que a situação está totalmente controlada. Mas as pessoas estão a arrumar as malas”, remata.