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Vitória do Syriza é de "enorme importância para países da crise"

26 jan, 2015 • Carlos Calaveiras

Rui Tavares, que lidera uma nova proposta de esquerda em Portugal, o livre, comentou na Renascença a vitória da extrema-esquerda nas eleições legislativas na Grécia.
Vitória do Syriza é de "enorme importância para países da crise"

A vitória do Syriza, na Grécia, é uma “viragem histórica de enorme importância para países da crise como o nosso”, diz Rui Tavares. E é importante que essa viragem se faça sem "perigos nem escolhos".

Na Renascença, o historiador e líder do partido Livre comentou o triunfo da esquerda nas eleições legislativas deste domingo. Ainda se contam os votos, mas Rui Tavares reafirmou que não é “grande fã de maiorias absolutas, mesmo quando os vencedores são próximos”.

Rui Tavares acredita que Alexis Tsipras “saiba compor maioria sem que a Europa rompa” até porque “os riscos que enfrentamos se houver ruptura serão muito graves para todos nós”. "É do interesse de todos que, além de uma vitória histórica na Grécia, Alexis Tsipras agora saiba compor uma maioria que consiga governar a Grécia e representá-la bem no conselho europeu".

Na opinião do líder do Livre, “o partido Topotami, de centro-esquerda, um partido cívico, fundado por um ex-jornalista com um discurso consistente contra saída do euro e da UE” é o que está mais próximo de ser parceiro do Syriza.

Numa altura em que uma das hipóteses que a Europa tem em cima da mesa pode ser a saída do Grécia do euro, Rui Tavares lembra que o Syriza não é favorável a essa opção, mas que isso é possível. “Uma saída da Grécia ou de outro país da zona euro é sempre possível, se for uma saída da União Europeia também”.

Lidar com "catástrofe humanitária"
Tavares refere ainda que no futuro o “mais sensato para a União Europeia é completar o edifício do euro” e, por exemplo, tentar estabilizar problema da dívida, avançar para os "eurobonds" e para um plano de recuperação de economias do sul.

“O que interessa ao contribuinte alemão, como aos contribuintes de toda a restante zona euro, é que a dívida seja estabilizada, possa ser paga em termos razoáveis e que seja dada alguma folga ao novo Governo grego para que, com algumas medidas do ponto de vista social, de algum apoio ao emprego, se possa lidar com a situação de catástrofe humanitária na Grécia”.

O antigo eurodeputado do Bloco de Esquerda defende que o que “a Europa precisa é de economias que sejam complementares entre si, que não produzam todas da mesma maneira os mesmos produtos, mas que tenham áreas de especialização diversas que possam encontrar o seu lugar na economia global”.

Em 2015 vários países da União Europeia vão ter eleições. O fenómeno Syriza pode espalhar-se? Rui Tavares acredita num “movimento progressista à escala europeia” com “democracia, prosperidade e direitos”.