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Violência deu lugar a "silêncio quase sepulcral" no Cairo

15 ago, 2013 • José Pedro Frazão

Embaixador Tânger Correia diz que os portugueses "estão todos bem", mas no Egipto há um “estado de alguma ansiedade para saber qual vai ser o próximo capítulo nesta história". A minoria cristã está a ser um alvo e oito igrejas já foram queimadas.

Violência deu lugar a "silêncio quase sepulcral" no Cairo
Violência deu lugar a "silêncio quase sepulcral" no Cairo
Há um silêncio “quase sepulcral” nas ruas da capital do Egipto depois dos confrontos desta quarta-feira que provocaram pelo menos 278 mortos, afirma o embaixador de Portugal no Egipto em declarações à Renascença. Tânger Correia diz que os portugueses "estão todos bem", mas no Egipto há um “estado de alguma ansiedade para saber qual vai ser o próximo capítulo nesta história". A minoria cristã está a ser um alvo e oito igrejas já foram queimadas.

Há um silêncio “quase sepulcral” nas ruas da capital do Egipto depois dos confrontos desta quarta-feira que provocaram pelo menos 278 mortos, afirma o embaixador de Portugal no Egipto em declarações à Renascença.

“Neste momento, há uma calma como eu nunca experimentei no Egipto, nomeadamente no Cairo. O Cairo é uma cidade barulhenta, viva, animada, muito barulho, muitas buzinadelas, pessoas a falar alto… neste momento é um silêncio que eu diria quase sepulcral”, descreve Tânger Correia.

Independentemente do recolher obrigatório em vigor, as pessoas “quiseram ficar em casa” porque estão “num estado de alguma ansiedade para saber qual vai ser o próximo capítulo nesta história que se iniciou hoje [quarta-feira]”, afirma o diplomata.

Os próximos dias podem ser agitados e trazer mais confrontos, mas a uma escala diferente entre as forças de segurança e os apoiantes do presidente deposto Mohamed Morsi, refere Tânger Correia.

O embaixador explica que o Exército neste momento está numa “posição expectante, não actuou nos confrontos”, ao contrário do que diz ser o desejo da Irmandade Muçulmana, o partido de Morsi.

“Se o Exército actuar, que eu penso que é o que a Irmandade Muçulmana quer, é evidente que terá o controlo total e definitivo do Egipto, mas de uma maneira que, eventualmente, não será a melhor”, sublinha.

Sobre o processo de inclusão da Irmandade Muçulmana, Tânger Correia lembra que “é uma estrada com dois sentidos”, onde “não é só alguém querer incluir alguém, mas é esse alguém também querer ser incluído”.

“A lógica aqui no Egipto, que é um país que nunca conheceu uma real democracia, é uma lógica de exercício do poder total, ou seja, ou o poder é meu ou o poder é teu. A lógica de partilhar o poder não existe”, frisa o diplomata português.

Tânger Correia alerta que o Estado de Direito pode estar ameaçado, se na actual situação de emergência o presidente interino delegar nos militares o poder de detenções sem culpa formada.

Quanto à minoria cristã, não é protegida pelas autoridades e tem sido particularmente visada pelas ondas de violência no Egipto, sem ter nada a ver com o problema político, diz o embaixador.

“Foram queimadas oito igrejas e queimadas propriedades de cristãos, quer no norte quer no sul. Os cristãos não têm nada a ver com a situação que o país atravessa, porque são uma minoria, são cerca de 10% da população. Não têm capacidade activa, operacional, não têm capacidade de autodefender-se, na maior parte dos casos, e no fundo são um bocadinho vítimas destas circunstâncias.”

Os 150 portugueses registados no Egipto, reforça, “estão todos bem, estão em casa”, um poucos “angustiados” com os confrontos e a instabilidade.

Há portugueses em multinacionais que até têm planos de evacuação próprios das empresas e a embaixada vai continuar atenta para agir se for necessário, conclui Tânger Correia.