Um salão de oportunidades em tempo de crise

22 fev, 2013 • Rosário Silva

Uma centena de países, 600 empresas nacionais, 28 sectores, quatro mil marcas e produtos, e dois mil compradores internacionais, são alguns dos números do Salão Internacional do Sector Alimentar e Bebidas.

Numa altura de contracção do consumo interno, o Salão Internacional do Sector Alimentar e Bebidas (SISAB), que se realiza de 25 a 27 de Fevereiro, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, pode ser uma boa montra para as empresas portuguesas atraírem clientes estrangeiros.

O SISAB é considerado a maior convenção anual de empresas e empresários líderes de exportação. Uma centena de países, 12 línguas, 600 empresas nacionais, 28 sectores, quatro mil marcas e produtos, e dois mil compradores internacionais, são alguns dos números que demonstram a dimensão desta ampla plataforma de negócios, considerada de enorme relevância para a economia, sobretudo nesta altura de crise.

Uma oportunidade que as empresas não querem perder já que no SISAB é possível conhecer e negociar preços competitivos, estabelecer novos contactos, tomar consciência das características e qualidade dos produtos, bem como estabelecer proximidade com a legislação em vigor em cada país importador, muitas vezes um impedimento para quem quer exportar.

Da indústria alimentar à fileira da terra, culturas, florestas, transportes e logística, tudo à disposição de empresas e empresários líderes na exportação, numa mostra que se faz de provas, de visitas, de muitos contactos e, preferencialmente, de bons negócios. É o que pretende com a sua presença, um dos maiores produtores de vinho do Alentejo que a Renascença foi conhecer.

Sucesso em tempo de crise
“Vender bons vinhos a preços não especulativos” é o lema é da empresa Roquevale, criada em 1983, na altura apenas como empresa agrícola. Seis anos depois, lança as primeiras marcas no mercado, que ainda hoje perduram e, de então para cá, o caminho é o do crescimento.

Com uma nova unidade industrial desde 2002, nos últimos cinco anos triplicou o seu volume de negócios. Em contraciclo, tem registado um crescimento acentuado no mercado nacional, o que tem uma explicação, refere o administrador Miguel Santos.

“O que está a acontecer é que algumas empresas, como a nossa, estão a conseguir ganhar uma quota de mercado a outras, porque estas estão a desaparecer ou porque desenvolveram actividades noutros segmentos e baixaram o volume de negócios. É aqui que estamos a ganhar”, conclui.

O caminho das exportações é, contudo, uma aposta. A presença no SISAB serve para conquistar novos mercados e cimentar relações que já existem. Brasil e Macau são os principais mercados da Roquevale que também já exporta para a Alemanha, Luxemburgo, Bélgica, Dinamarca, Estados Unidos e, esporadicamente, para a China e Vietname.

E é na maior montra de negócios que a empresa alentejana vai lançar o primeiro vinho do Alentejo certificado como Grande Reserva (2006), para conquistar  “um perfil de cliente mais escalão médio/superior, onde não tínhamos uma oferta bem conseguida a este nível”, esclarece Miguel Santos.

A Roquevale é um dos maiores produtores privados de vinho do Alentejo, com 135 hectares de vinha, no concelho de  Redondo, distrito de Évora.

As vinhas estão divididas em duas propriedades: A Herdade da Madeira onde predominam as castas tintas instaladas em solos de xisto, e o Monte Branco, com solos de origem granítica, destinado essencialmente à produção de uvas brancas.

A filosofia da empresa passa por oferecer uma gama completa de vinhos com carácter regional e apresentá-los ao consumidor a preços não especulativos. Em 2012, o volume de negócios rondou os 8 milhões e 400 mil euros.