Centros de emprego

Rede Anti-Pobreza diz que há desempregados tratados como "bandidos"

25 jan, 2013

"É provável que o cansaço de alguns funcionários de alguns centros de emprego ajude a que esta interpretação seja feita."
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza diz que há centros de emprego que tratam os desempregados como "bandidos" e esquecem-se que, para terem direito a subsídio de desemprego, essas pessoas já descontaram para a Segurança Social. Sérgio Aires falava no decorrer de um debate promovido pela "Antena 1" sobre o Estado Social, em Lisboa.

"É provável que o cansaço de alguns funcionários de alguns centros de emprego ajude a que esta interpretação seja feita, principalmente em cidades onde o desemprego é mais acutilante, como Setúbal ou o Porto, mas a verdade é que os ecos que nos chegam é que as pessoas são tratadas como se não tivessem direito a receber aquele valor e estão a tirar dinheiro a alguém", criticou.

Sérgio Aires sublinhou que esta é uma situação "emocionalmente muito pesada" para alguém que não contava estar desempregado, que tem outras pessoas a cargo e que muitas vezes, para terem algum rendimento extra, têm de fazer coisas "inimagináveis" como ir buscar um familiar a um lar para poder ter acesso ao valor da pensão e complementar assim o rendimento mensal do agregado familiar.

"Tudo isso em cima desta mesma pessoa e ainda por cima vai a um centro de emprego e é tratado como se o dinheiro que está a receber o estivesse a roubar a alguém. Não é positivo", apontou, apesar de admitir que os centros de emprego também estão actualmente "numa situação muito complicada".

Sérgio Aires sustentou também que, se muitas vezes as pessoas desempregadas recorrem à economia informal, "não é porque são bandidos, mas porque têm contas para pagar e pessoas para alimentar".

Aviso aos políticos
No final do debate, o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal admitiu à Lusa que alguns centros de emprego em algumas zonas do país estão a passar por situações "que os próprios funcionários nunca imaginaram", "desde o número de pessoas que acorre aos centros de emprego até ao volume de trabalho, que também aumentou".

Sérgio Aires frisou que se trata de um "trabalho meramente burocrático", porque as "pessoas vão aos centros de emprego marcar presença" em vez de irem procurar ofertas de emprego ou mostrar que andam à procura de emprego.

"O que os nossos políticos têm de pensar é que se não se fizer nada no sentido de criar e reforçar a economia formal, a economia informal vai crescer", apontou. 

Sérgio Aires deixou ainda um alerta em relação ao caminho que se está fazer em matéria de reforma do Estado Social e de como se pode estar a caminhar para o fim do Estado democrático, dado que "a coesão social está em risco".