Quanto pode valer uma onda?

16 nov, 2012 • André Rodrigues

“Quando os jovens crescem praticando um desporto saudável [como o surf] que os põe em contacto com o poder da Natureza, isso é um enorme ganho social”, defende investigador.
Quanto pode valer uma onda?
Um grupo de investigadores da Universidade Nova de Lisboa está a investigar o retorno económico das ondas. Sabe-se que o surf tem um impacto nas economias locais. Por exemplo, em Peniche foi feito um investimento nesta área que ronda os 98%. São dados que serão apresentados esta sexta-feira, dia em que celebra o Dia Nacional do Mar.

Quantificar em rigor o retorno financeiro de uma onda: porquê e para quê? “É difícil apontar um número concreto, mas sabemos que uma onda apresenta uma série de valores”, explica à Renascença Guido Maretto.

Guido Maretto é um dos investigadores envolvidos no projecto que estuda o impacto do surf nas economias locais de zonas como a Caparica, Nazaré, Peniche ou Figueira da Foz, onde o surf é o sustento de muitos segmentos da economia local, mesmo em época baixa.

“As populações têm percepção de que o surf e as ondas têm impacto nas economias locais: no caso da Caparica, 89% da economia está orientada para o turismo, em Peniche, que investiu bastante no turismo de surf, falamos de 98%”, sublinha.

Mas o mar oferece outros retornos económicos. A energia das ondas, uma oportunidade recentemente explorada, tem enorme potencial.

“O projecto Windfloat da EDP consiste na colheita de ondas para produção de electricidade. Do ponto de vista da sustentabilidade é muito mais produtivo do que outras formas de extracção energética no fundo do mar, como o gás natural ou o petróleo”, argumenta o investigador. Além disso, acrescenta Maretto, “é muito mais seguro e isso é extremamente relevante”.

A acrescentar ao valor económico, o professor na Universidade Nova de Lisboa destaca outro não menos relevante: educação para o ambiente. “Quando os jovens crescem praticando um desporto saudável [como o surf] que os põe em contacto com o poder da Natureza, isso é um enorme ganho social”.

O objectivo deste estudo é a promoção das ondas como recurso natural nacional, que deve ser explorado de forma sustentável com valor reconhecido por decisores políticos e agentes económicos.