Os salários em Portugal baixaram em termos absolutos pela primeira vez em 14 anos. Em 2012, a redução chegou mesmo aos 5%, nalguns casos. As contas são da consultora internacional Mercer que esteve a analisar a evolução dos salários em Portugal, com base em 296 empresas e 108.837 postos de trabalho.
Há pelo menos quatro anos que os portugueses têm vindo a perder poder de compra. O preço dos produtos tem subido a um ritmo que os salários não conseguem acompanhar, mas em 2012 o rombo foi ainda maior. Verificou-se mesmo uma regressão salarial.
“Desde 2008 tem-se verificado na generalidade das funções, uma queda dos salários reais, ou seja, o aumento dos salários reais não tem acompanhado o ritmo da inflação, mas em 2012, além disso, eles regrediram em termos absolutos”, explica à
Renascença Tiago Borges.
O analista da Mercer sublinha ainda que existem entre “3 e 5% de quebra dos salários reais”.
Para além do
desemprego, os novos colaboradores, que vão substituir quem vai para a reforma, por exemplo, entre no mercado, “com salários abaixo do que eram em anos anteriores”, confirma Tiago Borges.
Outro dado a reter deste estudo é que 26% das empresas analisadas congelaram salários para todos os trabalhadores em 2012. Segundo o estudo da Mercer, um quarto das empresas tomou esta opção devido à crise.