Um homem com 18 anos foi hoje morto a tiro pela PSP na estação ferroviária de Campolide na sequência de uma perseguição a três jovens, entre os quais a vítima, suspeitos de terem roubado duas mulheres.
Segundo a PSP, as autoridades foram alertadas pelas 7h00 e os agentes enviados ao local detiveram dois dos três suspeitos do assalto, denunciado pela linha de emergência 112, mas o jovem baleado ainda conseguiu fugir, tendo sido abatido pouco depois.
"O polícia, que ia em seu encalço", fez "uso arma de fogo que lhe está distribuída, em circunstâncias ainda não apuradas, vindo a ferir aquele, causando-lhe a morte no local", explica a PSP.
Ainda, segundo o comunicado do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, os roubos às duas mulheres, que ocorreram pelas 6h45 e 6h55, foram feitos com "recurso a violência física", e uma das vítimas teve necessidade de receber tratamento hospitalar.
"Todos os suspeitos possuem antecedentes criminais, sendo que os dois detidos serão presentes à autoridade judiciária para aplicação da medida de coacção", salienta o comunicado.
A ocorrência foi comunicada à Polícia Judiciária bem como à Inspecção-geral da Administração Interna (IGAI) que irá abrir um processo de inquérito, que decorre em paralelo ao processo-crime dirigido pelo Ministério Público, para apurar as circunstâncias dos factos.
"Antes das conclusões, não haverá quaisquer outras declarações sobre o incidente e o seu lamentável resultado", sublinha o comunicado.
Por sua vez, a porta-voz da CP, Ana Portela, referiu à Lusa que a circulação de comboios na linha de Sintra se passou a fazer sem "qualquer perturbação" por volta das 12h00, uma vez que o incidente na estação de Campolide ficou resolvido.
Sindicato preocupado com "aumento da criminalidade e do risco"
Para Paulo Rodrigues, da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), este episódio vem pôr, mais uma vez, em evidência, a complexidade das situações em que polícia é chamada a intervir.
“Esta é mais uma situação que reflecte o aumento da criminalidade e do risco a que os polícias estão constantemente sujeitos”, afirma Paulo Rodrigues, em declarações à Renascença.
Segundo o presidente da ASPP, os agentes das forças de segurança são “cada vez mais” chamados a intervir e “de uma forma muito delicada, muitas vezes, não só salvaguardando a vida de terceiros, mas também a própria vida dos polícias”.
“Esta é mais uma situação que lamentamos o resultado em termos da pessoa que acabou por falecer, no entanto, é verdade que os polícias têm, nos últimos tempos, sido chamados a intervir de forma delicada e muitas vezes em situações complexas”, argumenta Paulo Rodrigues.